Árabes definem união contra EUA
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domingo, 23 de agosto de 1998
France-Presse 
Shazada Zulfiqar/France-PressePalavra de ordemAfegãos protestam nas ruas contra política norte-americanaIraque e Sudão definiram ontem uma união de esforços para que os países árabes adotem uma posição conjunta contra os Estados Unidos, informou a agência oficial iraquiana INA. Esta decisão conjunta foi comunicada pelo chanceler iraquiano Mohammad Said Al Sahhaf e seu colega sudanês, Mustafá Osman Ismail, depois de uma série de entrevistas entre os dois dirigentes, iniciada anteontem em Bagdá.
Sahhaf e Ismail concordaram em prosseguir a coordenação para reforçar a solidariedade árabe e tomar uma posição nacional (árabe) comum para enfrentar a política agressiva dos Estados Unidos, acrescentou a agência.
Por sua parte, o parlamento iraquiano pediu ontem à comunidade internacional que se oponha à política perigosa dos Estados Unidos, depois dos ataques aéreos norte-americanos contra Sudão e Afeganistão.
Em comunicado publicado por INA, o parlamento lamentou que Washington se transforme em agressor e não leve em conta a ONU, instituição a que só recorre em função de suas necessidades.
O Governo paquistanês reforçou as medidas de segurança para proteger cidadãos norte-americanos e de outros países ocidentais, devido às ameaças de vingança pelo bombardeio dos Estados Unidos contra supostas bases terroristas no Afeganistão. Foram adotadas novas medidas depois de um exame detalhado da situação global durante uma reunião de alto nível presidida pelo ministro do Interior, Shujaat Hussain.
A embaixada dos EUA e outras instalações norte-americanas em todo o país foram postas sob estritas medidas de segurança, depois que 200 diplomatas norte-americanos e membros do pessoal foram retirados do Paquistão dois dias antes dos ataques.
Com exceção de um militar italiano da ONU, que morreu baleado em Cabul duas horas depois do bombardeio, não há informações de outros incidentes em que tenham sido envolvidos cidadãos estrangeiros. O cadáver do tenente-coronel italiano Carmine Calo chegou sábado a Islamabad.
A ONU retirou todo seu pessoal de Cabul na sexta-feira, enquanto a Cruz Vermelha fez o mesmo ontem com pessoas que não realizam trabalhos essenciais. Na última sexta-feira, uma multidão de manifestantes que protestavam contra os disparos de mísseis norte-americanos no Afeganistão saqueou as instalações da ONU em Jalalabad, Oeste do Afeganistão. Foi destruído o prédio onde funcionavam duas agências da ONU - o Programa Alimentar Mundial e a Delegação de Coordenação de Assuntos Humanitários.


