Um após o outro, chefes de Estado árabes desembarcaram ontem em Amã enquanto seus assessores lutavam a portas fechadas para chegar a um consenso em torno da polêmica questão sobre o que fazer em relação ao Iraque. Iraque e palestinos são as questões mais importantes na agenda da Cúpula Árabe que terá início hoje, a primeira reunião regular da Liga Árabe em 10 anos.
O ministro do Exterior da Líbia, Abdel-Rahman Shalqam, disse ontem à agência de notícias jordaniana Petra que muitos pontos conflitantes já foram resolvidos. Os ministros encerraram na noite de domingo dois dias de conversações, preparando esboços de propostas sobre questões regionais e um comunicado preliminar, que serão a base de discussão na cúpula. O comunicado omite referência à questão do Iraque, o único ponto ainda não resolvido.
Outro diplomata árabe envolvido nas conversações, que pediu para não ser identificado, disse que aparentemente o Iraque estava prestes a aceitar uma proposta de quatro pontos. Nela, a Liga pede ao Iraque, assim como ao Kuwait, respeito à segurança regional e à soberania um do outro; em troca, haveria a suspensão das sanções comerciais contra o Iraque; uma imediata discussão sobre o status de prisioneiros de guerra; e a retomada dos vôos civis para Bagdá.
O vice-primeiro-ministro iraquiano, Tariq Aziz, disse ontem a repórteres em Amã que o pedido do Iraque para que sejam suspensas as sanções está baseado nas cartas da Liga Árabe e das Nações Unidas. ‘‘Nossa posição é lógica, justa e equilibrada e não há extremismo ou exagero nela’’, afirmou.
A Liga Árabe não foi capaz de promover uma cúpula regular desde que seus membros se dividiram sobre a invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990, que deflagrou a Guerra do Golfo de 1991. Ministros do Exterior de seus países-membros concordaram em outubro último em retomar os encontros anuais, começando pela reunião de Amã.
Em todo o Oriente Médio, muitos árabes estão acompanhando atentamente a questão palestina, que também tem prioridade na agenda em vista dos seis meses de violência em Israel e nos territórios palestinos.
Numa manifestação realizada no Iêmen para demonstrar apoio aos palestinos, o presidente do parlamento, xeque Abdullah al-Ahmar disse que as relações dos países árabes e muçulmanos com outras nações devem ser baseadas na posição desses Estados em relação à questão palestina.

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