Árabes de Israel se sentem traídos
Nomi Bar-Yaacov
France Presse
Os partidos políticos que representam os árabes em Israel sentem-se traídos pelo primeiro-ministro eleito, Ehud Barak, que não os consultou durante as negociações para formar seu novo governo.
Vários dirigentes desses partidos, que permitiram eleger 10 deputados dos 120 do Parlamento israelense, informaram que não votarão hoje a favor da investidura do gabinete de Barak ante a Knesset.
Os partidos árabes israelenses, que representam um milhão de pessoas, apoiarão Barak de forma pontual, informaram os dirigentes desses partidos.
Não vamos dar a ele um cheque em branco, assegurou Mohammad Barakeh, líder do partido judeu-árabe Hadash (comunista), que tem três deputados no Parlamento.
Nas eleições gerais de 17 de maio, 96% dos eleitores árabes israelenses votaram a favor do trabalhista Barak. A vitória dele ante o primeiro-ministro de direita, Benjamin Netanyahu, foi comemorada com euforia nas localidades árabes de Israel.
Mas a euforia não durou muito tempo.
Barak não abriu negociações com nenhum dos dez deputados árabes durante as sete semanas de intensas discussões para a formação de sua coalizão de governo.
Houve unicamente um encontro sexta-feira passada, durante o qual Barak informou que havia finalizado a composição do novo gabinete.
O encontro foi decepcionante. Barak negou-se a permitir que desempenhássemos qualquer tipo de papel nas negociações de paz, informou Dror Nisan, um porta-voz do Hadash.
Os deputados árabes reprovam Barak, em particular, ter incluído partidos de direita, contra o processo de paz, em sua coalizão.
Barakeh considera que Barak, ex-chefe de Estado Maior, segue pensando como um militar. Olha os árabes através do visor de um fuzil. Não nos considera iguais e quer resolver os conflitos com a força, considera.
Segundo Barakeh, a coalizão de Barak é uma coalizão de direita sob controle trabalhista.
Vários deputados árabes, ao serem ouvidos esta semana pela imprensa, afirmaram que mantiveram melhores contatos com o primeiro-ministro assassinado, Yitzhak Rabin, durante a formação de seu governo em 1992.
Concluímos um acordo com Rabin (...) quem deu a Knesset uma rede de proteção para sua política de paz, declarou Taleb al Sana, pertencente à Lista Árabe unificada (5 deputados). Barak nos excluiu por motivos raciais e não políticos, acrescentou.
Também os membros árabes do partido trabalhista do Barak manifestaram desilusão. Salah Tarif, deputado trabalhista desde 1991, criticou fortemente o novo primeiro-ministro por não ter eleito um só ministro árabe.
No entanto, a recusa dos deputados árabes israelenses a apoiar de forma sistemática Barak não influirá muito sobre a ação do governo, uma vez que ele dispõe de uma ampla coalizão integrada por 75 deputados.





