A comunidade árabe de Foz do Iguaçu está enviando cartas às lideranças empresariais, associações, imprensa e autoridades federais, com o objetivo de sensibilizar a população brasileira sobre os problemas ocorridos no Oriente Médio. Ontem, houve manifestação em frente à mesquita da cidade e queima de bonecos representando Israel.
Com cerca de 10 mil pessoas, a segunda maior colônia árabe do Brasil abrange Foz e Ciudad del Este no Paraguai (a primeira fica em São Paulo). Dezenas de comerciantes muçulmanos fecharam as lojas e rezaram contra a guerra reiniciada entre palestinos e israelenses, que já resultou na morte de mais de 70 pessoas. O grupo também montou uma exposição com cartazes e jornais, mostrando os últimos acontecimentos da região de conflito. Revoltados com a divulgação da morte do garoto Mohammad Aldura num confronto, mostrada recentemente pelas televisões de todo o mundo, alguns manifestantes mais exaltados queimaram um boneco simbolizando o inimigo, gritando palavras de ordem.
Para o comerciante Mohammed Barakat, idealizador da carta de protesto, Fernando Henrique Cardoso tem a obrigação de intervir no conflito. ‘‘Foi o Brasil que definiu a criação do Estado de Israel. Ele precisa agilizar o processo de paz’’, comentou Barakat, referindo-se ao voto de minerva dado em 1948 pelo governo brasileiro durante conferência internacional da ONU, que determinou criação do território.
Enquanto não sabem de notícias de parentes e amigos que moram no outro lado do Atlântico, os integrantes da comunidade fazem vigília na mesquita, orando cinco vezes ao dia pedindo o fim da guerra santa. A manifestação realizada ontem teve o apoio dos seguidores de outras seitas, inclusive os cristãos, e também de representantes do Movimento Nacional pelos Direitos Humanos.

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