Árabes buscam acordo no Egito
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
France Presse 
Sharm El-Sheikh, Egito As nações árabes mantinham, ontem, a divisão de opiniões em torno da crise iraquiana, pouco antes de os dirigentes árabes assistirem no Egito a uma cúpula durante a qual os países ''radicais'' pedirão que se negue qualquer apoio a um ataque norte-americano e os ''moderados'', que seja enviada uma delegação a Bagdá e à ONU para tentar evitar a guerra.
Os chanceleres de oito dos 22 membros da Liga Árabe, encarregados da redação da resolução final da cúpula que se iniciará hoje na estação balneária egípcia de Sharm El-Sheikh (leste), realizaram na noite de ontem uma terceira reunião para tentar chegar a um acordo sobre a claúsula relativa às ameaças de guerra contra o Iraque.
''O comitê de redação não terminou de redigir a claúsula sobre as ameaças contra o Iraque e vai se reunir de novo'', declarou à AFP o ministro das Relações Exteriores libanês, Mahmud Hammud, cujo país exerce a presidência da cúpula. Hammud assegurou que ''não existem divergências'' entre os países árabes. Falta a resolução final ''sublinhar a necessidade de evitar uma guerra na região'', acrescentou Hammud.
No entanto, fontes próximas aos participantes revelaram que os países denominados ''radicais'', entre os quais figuram a Síria, o Líbano, a Argélia, o Iêmen, a Líbia e o Iraque, estimavam que os países árabes que dispõem de bases militares norte-americanas devem se abster de prestar qualquer ajuda às forças daquele país no caso de um ataque a Bagdá.
Esta posição é diametralmente oposta à de numerosos Estados do Golfo Pérsico, liderados pelo Kuwait, que tem em seu território 111.000 soldados norte-americanos num total de 225.000 distribuídos por toda a região.
Por seu lado, o Egito e a Arábia Saudita, cujo chanceler, o príncipe Saud Al Faysal, desmentiu que seu país tenha autorizado a aviação norte-americana a utilizar uma de suas bases para atacar o Iraque, vão propor uma ''solução de compromisso'', indicou uma fonte da delegação saudita, que não deu mais detalhes.
Os ministros árabes negociavam a criação de um comitê ministerial que viajaria a Bagdá e à sede da ONU em Nova York para tentar buscar uma solução pacífica, informou o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa.
Segundo a agência de imprensa egípcia Mena, esse comitê, cuja ''missão seria explicar a necessidade de uma ação imediata para evitar a guerra'', seria composto por vários ministros, além de Mussa.
Fontes próximas aos participantes indicaram, no entanto, que o Iraque se mostra reticente a esta idéia porque teme que a delegação vá a Bagdá para pedir a renúncia do presidente Saddam Hussein.


