Aquecimento vai gerar refugiados ambientais
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sexta-feira, 06 de abril de 2007
Marlowe Hood<br>France Presse 
Bruxelas - O aquecimento do planeta poderá provocar nos próximos anos o êxodo de dezenas de milhões de ''refugiados do clima'', expulsos de suas terras pelas secas e as doenças, previram diversos especialistas ontem em Bruxelas.
''De acordo com algumas estimativas, já há quase tantas pessoas deslocadas no mundo em razão do clima quanto refugiados tradicionais'', declarou Yvo de Boer, secretário executivo da Convenção da ONU sobre mudanças climáticas (UNFCCC).
''Os números crescerão verdadeiramente, à medida que os efeitos das mudanças climáticas sejam mais perceptíveis, e poderão chegar a 50 milhões de pessoas até 2010'', declarou a principal autoridade da ONU para o clima, durante uma entrevista coletiva à imprensa após uma reunião do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Já podem ser consideradas ameaçadas as comunidades vítimas do derretimento das geleiras na América do Norte e na Groenlândia, as populações africanas que sofrem com a falta de água devido ao encolhimento do lago Chade, ou as vítimas do ciclone Katrina em Nova Orleans.
Amanhã, seu número poderá aumentar com as pessoas que fogem dos grandes deltas inundados -- que chegam hoje a 300 milhões --, das terras aráveis ressecadas ou das economias em crise dos Estados insulares do Pacífico, da África tropical ou do baixo mediterrâneo.
''A questão dos refugiados ambientais promete ser uma das crises humanitárias mais agudas de nosso tempo'', segundo Norman Myers, professor da Universidade de Oxford especialista no assunto.
A definição de refugiado climático é objeto de debates acalorados. ''O Alto Commissariado das Nações Unidas para os Refugiados (HCR) não quer que se use o termo refugiados climáticos. Eles preferem que o termo +refugiado+ seja aplicado apenas aos refugiados políticos'', explica John Hay, porta-voz do UNFCCC.
Um relatório do IPCC sobre os impactos regionais das mudanças climáticas, divulgado ontem evita com isso o termo ''refugiado'' e prefere ''migrantes ambientais'', sem tentar estabelecer nem prever o seu número.
Muitos cientistas acreditam que é impossível singularizar as mudanças climáticas entre todas as razões que podem levar as populações desabrigadas a fugir de suas terras.
Mas ''quando você acrescentar o clima aos outros fatores que impedem as populações de viver em suas terras, o número (de refugiados) aumentará'', prevê Thomas Downing, diretor do Instituto Estocolmo de Meio Ambiente em Oxford e que contribuiu para o relatório do IPCC divulgado nesta sexta-feira.
Um estudo realizado em 2000 pela Cruz Vermelha e pelo Crescente Vermelho havia estimado em 25 milhões o número de pessoas prestes a migrar em razão da degradação de seu meio, o que quase atinge a cifra de refugiados que fogem de conflitos armados.
Segundo o Professor Myers, o número poderá dobrar até 2010, e arrisca a atingir 200 milhões de pessoas ''quando o aquecimento global for plenamente sentido''.


