Aquecimento agrava situação em países pobres
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segunda-feira, 02 de abril de 2007
France Presse 
Bruxelas- Embora o aquecimento global possa ter efeitos positivos nas latitudes mais ao norte do planeta, com invernos mais curtos e amenos, reduzindo o risco de mortalidade de idosos e pobres causada por ondas polares, em termos gerais o resultado do fenômeno será ''esmagadoramente negativo'', atingindo a maioria de todos os países tropicais pobres com escassez de água, saneamento inadequado e infra-estrutura médica inapropriada, alerta um relatório preparado por especialistas em clima reunidos em Bruxelas.
Estas são as conclusões da segunda parte do estudo do IPCC - que está dividido em quatro partes e que deve ser concluído antes do fim do ano - que devem servir de referência para um novo compromisso ambiental mundial, sucessor do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. A primeira parte, divulgada em fevereiro, prevê um aumento de 4 graus na temperatura do planeta até o fim do século e atribui a homem a culpa por esse aquecimento.
O esboço final do documento afirma que, além do clima da Terra, a saúde humana pode ser afetada de forma sutil e às vezes pouco perceptível pela mudança climática. Doenças como malária, cólera, insolação e alergias causadas por pólen são apenas algumas das que podem se intensificar devido ao aquecimento global, afirmam especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), a maior autoridade científica da ONU sobre o aquecimento global e seus impactos.
O relatório de 1.400 páginas que será publicado pelo IPCC na próxima sexta-feira informa que o aquecimento global já aumentou o território dos mosquitos e carrapatos, ajudou a disseminar a diarréia, aumentou a extensão e a localização de temporadas de pólen e a intensidade das perigosas ondas de calor.
Nas próximas décadas, tais problemas devem aumentar e, para muitas pessoas, a fome e a desnutrição se somarão a este cenário, continua. ''Impactos sanitários adversos serão maiores nos países de baixa renda'', adverte.
''Os que correm maior risco, em todos os países, são os idosos e as crianças, as sociedades tradicionais, as fazendas de subsistência e a população costeira'', continua.
Por exemplo, se a produção de alimentos for afetada por secas ou inundações, isto atingirá a nutrição ou pode vir a causar um êxodo rural que irá aumentar a população de favelas, onde doenças transmissíveis e superlotação são comuns.
Um estudo sobre a onda de calor que afetou a Europa ocidental em 2003 mostrou que quase um terço da mortalidade excedente da Suíça foi causada por ozônio ao nível do chão, um tipo de poluição causada pela reação da luz do sol e das emissões de gases pelo tráfego, que pode ser perigosa para pessoas com problemas respiratórios e cardíacos.
Um outro estudo citado no relatório estima que o número de pessoas com risco de passar fome em Mali, um dos países mais pobres do mundo, irá quase dobrar entre 64 e 72 por cento em 2050 se nada for feito para ajudar a população a se adaptar à ameaça.


