Apuração da morte de Jean Charles está comprometida
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terça-feira, 09 de agosto de 2005
João Caminoto<br>Agência Estado 
Londres - Os advogados da família de Jean Charles de Menezes, brasileiro morto por engano pela Scotland Yard, em 22 de julho, em Londres, afirmam que o trabalho da comissão independente que investiga o caso está comprometido. Eles solicitaram às autoridades britânicas que os pais e o irmão da vítima, residentes em Minas Gerais, sejam levados a Londres para acompanhar de perto o andamento da investigação e obter mais informações sobre as circunstâncias da morte.
Em nota distribuída à imprensa, o escritório Birnberg Peirce, chefiado pela advogada Gareth Peirce, lembrou que o caso foi entregue oficialmente à comissão independente de investigação - a Independent Police Complaints Commission (IPCC) - vários dias após a morte do brasileiro embora as normas do estatuto policial afirmem que em tais circunstâncias isso deveria ocorrer ''o mais cedo'' possível e certamente dentro de prazo de 24 horas.
''Quando vemos uma aparente política de atirar para matar ser subitamente acionada com consequências tão devastadoras e não desejadas, e aqueles responsáveis não cumprem com os mecanismos mais básicos de salvaguardas estatutárias que objetivam garantir alguma independência, a integridade da investigação já é questionada'', afirmaram os advogados.
Os advogados também criticaram a visita que o vice-comissário assistente da Scotland Yard, John Yates, fez aos familiares de Jean Charles em Gonzaga (MG), em 1º de agosto, na qual, entre outras coisas, foi discutido o pagamento de uma indenização inicial pelo erro policial. ''O encontro, poucos dias após o funeral, deu à família pouco tempo para começar a se recuperar do choque com a morte'', afirmaram os advogados. ''O escritório Birnberg Peirce, representando oficialmente a família, não foi consultado ou informado com antecedência sobre a visita.''
Segundo os advogados, os pais de Menezes, Matozinhos Otone da Silva e Maria Otone de Menezes, além do irmão Giovani da Silva, somente foram informados sobre a visita de representantes da Scotland Yard no dia anterior a ela, alertados por vizinhos que viram a notícia pela televisão.
Os advogados afirmaram que ao reclamar à Scotland Yard por não terem sido avisados da visita, ouviram a sugestão de que eles apenas atuam no caso em nome dos primos de Jean Charles, não seus familiares diretos no Brasil. ''Na ausência de uma linha telefônica na casa da família no Brasil foi impossível obter instruções diretas num prazo tão curto, entretanto os primos residentes na Inglaterra, todos oriundos da mesma cidade, tinham confirmado as instruções em nome da família'', afirmaram os advogados.
''Apesar do pedido da família, Yates não demonstrou disposição de esperar pela chegada de um representante de nosso escritório para participar da reunião.'' Numa visita a Gonzaga na quinta-feira passada (4), a advogada Harriet Wistrich, do Birnberg Peirce, fez um relato aos pais de Jean Charles sobre o que os detalhes já conhecidos do incidente e os procedimentos legais que poderão ser tomados.


