Dois dias após assumir o poder, o governo do novo presidente peruano, Valentín Paniagua, passou para a reserva 13 generais do Exército – entre eles o comandante Walter Chacón –, considerados leais ao foragido ex-chefe da inteligência Vladimiro Montesinos, e entregou o comando da instituição ao general Carlos Tafur, afastado pelo governo anterior.
Segundo o novo ministro da Defesa, o general da reserva Walter Ledesman, todos estes oficiais, da promoção de 1966, deveriam passar para a reserva no dia 31 de dezembro, mas o governo decidiu antecipar a medida.
O general Chacón, ex-comandante do Exército, confirmou ontem à imprensa peruana que Montesinos era o intermediário entre o ex-presidente Alberto Fujimori e o alto comando militar. Segundo ele, Montesinos ‘‘era quem resolvia os assuntos da defesa’’ do governo anterior, por decisão expressa de Fujimori.
‘‘O presidente Fujimori tinha nosso apoio, como corresponde pelo mandato constitucional, mas ele, usando seu direito como chefe supremo das Forças Armadas, colocou um intermediário para dar suas ordens’’, assegurou.
Chacón foi designado chefe do Exército e das Forças Armadas após Fujimori destituir desses cargos, em outubro, ao general José Villanueva por sua estreita ligação com Montesinos. O ex-chefe da inteligência caiu em desgraça em setembro depois da divulgação de um vídeo no qual ele aparece subornando um deputado da oposição.
Montesinos é procurado pela Justiça para que responda sobre a origem de US$ 48 milhões depositados em seu nome em três bancos suíços e pelos delitos de enriquecimento ilícito, tráfico de influências, lavagem de dinheiro procedente do narcotráfico, corrupção, tortura e assassinato.
No sábado, após várias horas de reunião com seu chefe do Conselho de Ministros, Javier Pérez de Cuellar, líderes partidários e comandantes militares, o presidente Paniagua deu posse ao gabinete de transição, que conduzirá o Peru até 28 de julho. Paniagua confirmou o economista Javier Silva Ruete para a pasta da Economia.
Para a pasta da Defesa, foi designado o general Walter Ledesma; Presidência, Juan Incháustegui; Justiça, Diego García Sayán; Relações Exteriores, Pérez de Cuellar; Trabalho, Jayme Savalla Cuesta; Interior, Antonio Ketín; Energia e Minas, Carlos Herrera; Pesca, Ludwuing Meir Cornejo; Saúde, Eduardo Pretell; Educação, Marcial Rubio; Agricultura, Carlos Amat; Indústria, Turismo e Integração, Emilio Navarro; Promoção da Mulher, Susana Villarán; e Transportes e Comunicações, Luis Ortega.
Esse quadro confirmou a expectativa de que seria nomeado um gabinete de tecnocratas, enviando sinais de que o governo de Paniagua não promoverá nenhuma mudança brusca na política peruana.

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