Após um mês, não há solução para guerra
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segunda-feira, 05 de novembro de 2001
Das agências 
Os bombardeios norte-americanos ao Afeganistão entram hoje na quinta semana, sem haver indícios de existir uma solução militar a curto prazo, que ponha fim ao regime taleban. Um enorme e altamente sofisticado aparato militar norte- americano de combate e logístico está concentrado no Oriente Médio e repúblicas asiáticas vizinhas, com incursões avassaladoras da aviação no Afeganistão contra uma estrutura débil, militar e política, do regime dos ''estudantes de teologia''.
Os talebans têm resistido sem denunciar, até agora, de maneira visível, que estejam sofrendo qualquer efeito psicológico nas suas tropas, apesar de ser evidente a destruição e o desgaste de estruturas e equipamentos.
Segundo os relatos de imprensa, os efeitos dos ataques unilaterais da aviação dos EUA estariam atingindo fortemente a atividade civil, com um número elevado de mortes e feridos, mas acima de tudo provocando uma movimentação forçada de milhões de afegãos. Contudo, pelas notícias recebidas, não têm produzido um efeito demolidor na capacidade de recrutamento humano do regime, que está recebendo milhares de voluntários muçulmanos, em particular do vizinho Paquistão.
Apesar do apoio e intervenção da Força Aérea norte-americana nas linhas da frente, em particular na zona norte, nos últimos dias e mesmo horas, não se verifica uma resposta coerente da parte da oposição ao regime de Cabul, que, até agora, não conseguiu efetuar uma penetração digna de realce e credibilidade nas áreas talebans. Os talebans parecem ter optado pela contenção e dispersão, numa jogada de tática de guerrilha, mas respondendo a todas as tentativas de incursões das tropas da Aliança do Norte, armadas pela Rússia, e apoiadas por numerosos ''conselheiros'' norte-americanos e britânicos.
Por outro lado, as tropas de elite dos Estados Unidos e eventualmente do Reino Unido não têm registrado os resultados eficazes que os altos comandos previam, com larga difusão de propaganda. As informações disponíveis pelo Pentágono, através do seu secretário de Estado e dos responsáveis militares, apontam para contratempos na evolução no terreno, com perdas de helicópteros e vítimas humanas (mortos e feridos).
A imprensa norte-americana assinalou, ontem, que recentemente cerca de 100 membros altamente treinados da Força Delta, com o apoio de sofisticados meios de transporte e de combate aéreos tiveram de recuar com muitos feridos perante a resistência afegã, equipada com armamento ligeiro (armas automáticas e bazucas).
Porém a administração norte-americana e o comando supremo militar do Pentágono garantem que existem progressos e sustentam que a campanha militar vai continuar, mantendo uma determinação numa vitória a longo prazo. Será, confirmam os analistas internacionais de diferentes tendências, uma ''guerra de desgaste'' longa, mas que terá de dar resultados palpáveis, ainda que parciais, possivelmente, nas próximas semanas. Do contrário, levará a uma ameaça de ruptura na própria coesão interna dos EUA.
Bombardeio é intensificado Mais de cem bombas foram lançadas na manhã de ontem sobre posições dos talebans no front Nordeste do Afeganistão, próximo à fronteira com o Tadjquistão, no mais potente bombardeio sobre a região na última semana, constatou um jornalista da Agência France Presse.
O front de batalha dos talebans foi atingido pela aviação americana, que bombardeou repetidamente ao longo de 50 km. O número de bombas lançadas neste domingo, depois de cinco horas de bombardeios, ultrapassa o total da semana passada, nos quatro ataques anteriores.
Num céu sem nuvens, observou-se até as margens do rio Kokhcha os B-52 que lançaram bombas sobre as colinas onde estão instaladas posições talebans. Imensas colunas de fumaça negra e cinza se elevaram ao céu e o ruído das explosões chegaram até os povoados.
Pelo que se pôde observar às margens do rio Kokhcha, a força aérea americana não somente atingiu as posições já bombardeadas na semana passada, como ampliou seu raio de ação a outras posições talebans situadas a alguns quilômetros do front Oeste.


