Após pressão, Equador renuncia a benefícios
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sexta-feira, 28 de junho de 2013
Folhapress 
São Paulo - O Equador anunciou ontem que renunciará aos benefícios tarifários concedidos aos produtos do país para que sejam exportados aos Estados Unidos. O governo atribui a decisão às ameaças sofridas pelo país por analisar o pedido de asilo de Edward Snowden.
O técnico em informática pediu refúgio a Quito após ser processado por Washington por vazar informações sobre o esquema de monitoramento de telefones nos Estados Unidos e dados de internet de todo o mundo feito pela Agência de Segurança Nacional americana (NSA, em inglês).
O país sul-americano avalia o pedido e o chanceler Ricardo Patiño disse que a decisão sobre Snowden poderá levar meses. O delator estava até ontem na área de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, desde domingo.
O anúncio foi feito pelo secretário de Comunicação, Fernando Alvarado. A redução era uma compensação dos americanos à ajuda equatoriana no combate ao tráfico de drogas. Anteontem, parlamentares republicanos disseram que pressionariam pela retirada de benefícios ao Equador se o país asilasse o informante.
"O Equador não aceita pressões nem ameaças, não barganha princípios, nem os submete a interesses mercantis por mais importante que esses sejam", afirmou Alvarado, que ofereceu o dinheiro aos americanos para que seja usado em "capacitação em direitos humanos".
Ele criticou os Estados Unidos por não assinar nenhum dos tratados interamericanos de direitos humanos. "Entendo que são necessários mecanismos de luta contra o terrorismo, mas não podemos admitir que sejam atropelados os direitos humanos e a soberania dos povos."
Alvarado ainda ironizou pedido do governo americano para extraditar Snowden, que veio antes de que o delator chegasse ao país. "Nós ficaríamos felizes se eles agissem com a mesma urgência para entregar vários foragidos da Justiça equatoriana refugiados nos Estados Unidos."


