Rio - O brasileiro David Miranda, de 28 anos, disse ao chegar ao Brasil, na manhã de ontem, que aguarda providências do governo após ser detido como suspeito de terrorismo no Reino Unido.
Namorado do jornalista britânico que denunciou o escândalo de espionagem digital dos EUA, Miranda ficou retido por quase nove horas numa sala com seis agentes da Scotland Yard (polícia metropolitana de Londres), quando fazia escala no país para voltar ao Brasil.
"Espero que o governo brasileiro faça alguma coisa porque a gente não sabe o que está acontecendo de verdade", afirmou ao desembarcar no aeroporto internacional Tom Jobim (Galeão), na Ilha do Governador, zona norte do Rio, por volta das 5h15 de ontem.
Recebido pelo companheiro, o jornalista Glenn Greenwald, Miranda disse que se sentia cansado pelo tratamento no Reino Unido e pela viagem. Em poucas palavras resumiu que as autoridades britânicas o abordaram com base num artigo controverso da lei antiterrorismo do país, que permite deter suspeitos sem mandado judicial e sem a permissão de consultar um advogado. "Eles alegaram uma lei sobre terrorismo. Só me deram um documento que eu passei direto para o meu advogado", contou.
"Fiquei numa sala, onde seis agentes entravam e saíam, se revezando para falar comigo. Perguntaram sobre a minha vida inteira, sobre tudo. Seguraram o meu computador, videogame, celular, pen drives, máquina fotográfica", lamentou.
O brasileiro afirmou que não foi ofendido, mas ficou irritado com a abordagem. Ao contrário de Greenwald, Miranda disse que não sofreu nenhum tipo de ameaça. Ele não passou detalhes do interrogatório.

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