Após derrota, Bush diz aceitar 'sugestões'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Folhapress 
São Paulo - O presidente americano, George W. Bush, afirmou ontem que está ''aberto a sugestões'' a respeito do Iraque, sinalizando que adotará uma postura de conciliação com o Congresso, que será liderado pelos democratas após a derrota republicana nas urnas.
''Estou aberto a idéias e sugestões que possam nos ajudar atingir o objetivo de derrotar os terroristas e garantir que a nova democracia iraquiana seja bem-sucedida'', disse Bush.
A expectativa é que a nova liderança congressista exerça maior pressão sobre Bush devido à insatisfação de grande parte dos americanos com a política governista no Iraque, o grande número de baixas entre soldados dos EUA e a violência crescente no país.
O conflito no Iraque foi apontado por especialistas como o principal motivo para o fracasso do partido de Bush nas eleições de terça-feira, ao lado dos repetidos escândalos de corrupção envolvendo legisladores republicanos.
No entanto, o presidente disse ainda que é responsabilidade dos EUA dar apoio aos 152 mil soldados americanos no Iraque - uma aparente mensagem aos democratas que defendem o corte dos recursos enviados à missão no país.
''Qualquer partido tem a responsabilidade de garantir que as tropas tenham os recursos e o apoio necessário para sua missão no Iraque, disse Bush.
Ontem, o Partido Democrata obteve por uma pequena diferença a maioria no Senado, ficando com o controle total do Congresso, após 12 anos de liderança republicana.
O último Estado a obter o resultado da disputa pelo Senado foi a Virgínia, onde o democrata Jim Webb derrotou o republicano George Allen por uma vantagem mínima - cerca de sete mil votos.
Na quarta-feira, a vitória democrata na Câmara dos Representantes já havia sido anunciada. Após o anúncio, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, renunciou ao cargo.
A derrota republicana altera o cenário político americano, já que deixa o presidente George W. Bush sem o apoio do Congresso para levar à frente sua agenda legislativa.
O primeiro impacto da vitória democrata na Câmara dos Representantes foi a saída do republicano Donald Rumsfeld, de 74 anos, do cargo de secretário de Defesa dos EUA.
Em entrevista coletiva na tarde de ontem, o presidente oficializou o nome do ex-diretor da CIA Robert Gates, 63, como sucessor de Rumsfeld no cargo.


