Após atentado, Trump vai revogar loteria de vistos
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quinta-feira, 02 de novembro de 2017
Silas Martí e Sylvia Colombo<br>Folhapress 

Nova York e Buenos Aires - Depois de uma troca de farpas nas redes sociais e de ser criticado por não telefonar para o prefeito e o governador de Nova York nas horas depois do atentado que deixou oito mortos no sul de Manhattan nesta terça-feira (31), o presidente americano Donald Trump anunciou a intenção de revogar a loteria de vistos que permitiu a entrada do terrorista do Uzbequistão nos EUA.
"Não queremos loterias, queremos um sistema baseado em mérito. É uma piada o que temos agora", disse o presidente, em discurso na Casa Branca. "Precisamos ser menos politicamente corretos. Temos de fazer tudo para proteger nossos cidadãos."
Sayfullo Saipov, o homem de 29 anos que atropelou ciclistas e pedestres a quadras do local onde ficavam as Torres Gêmeas, era um residente legal no país há sete anos. Ele entrou nos EUA com um visto de residência concedido a imigrantes com ensino médio e que passam por uma triagem de segurança. O programa é uma loteria de permissões de entrada criado para ampliar a diversidade da população do país.
A medida foi aprovada com apoio de democratas e republicanos há 14 anos na administração de George W. Bush.
Foi esse o ponto de partida de uma briga de Trump com o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, no Twitter. "O terrorista entrou em nosso país por meio do 'Diversity Lottery Program' [Programa de Loteria da Diversidade], uma maravilha de Chuck Schumer", criticou o presidente republicano. Schumer rebateu os tuítes do presidente dizendo que "em vez de dividir o povo e politizar" a questão, ele deveria "fazer alguma coisa" e não cortar verbas para prevenção e combate ao terror.
De acordo com investigadores, está claro que Saipov planejava o ataque há algumas semanas. Seis pessoas morreram no local do crime, a ciclovia ao longo da rua West, que margeia o rio Hudson, e duas perderam a vida no hospital - cinco argentinos, um alemão e dois americanos. Entre os 20 feridos, uma mulher teve as pernas amputadas e vários seguiam em estado grave.
"De agora em diante, vamos considerar todos eles nova-iorquinos", disse o prefeito Bill de Blasio. "Eles compartilham essa tragédia conosco. Entendemos esse ato como um ataque ao nosso espírito e aos nossos valores, mas ele falhou na tentativa de quebrar o nosso espírito."
O FBI, a polícia federal americana, agora vai estudar, por meio de câmeras e leitores de placas de carros, todos os movimentos de Saipov nos dias antes do atentado. Embora ele nunca tenha sido alvo de uma investigação da polícia americana, autoridades analisam as ligações dele com outros suspeitos. Um indício de sua radicalização avançada é o bilhete em árabe jurando lealdade ao Estado Islâmico encontrado na caminhonete usada no ataque.
O governador de Nova York, Andrew Cuomo, que chamou Saipov de "covarde depravado", voltou a dizer, no entanto, que o suspeito agiu sozinho e se radicalizou vivendo nos Estados Unidos. "O que aconteceu não pode ser desfeito. Mas não há nenhuma grande mensagem no que ele fez", disse Cuomo.
ARGENTINOS
A imagem de um grupo de oito argentinos sorridentes, entre 48 e 50 anos, abraçados e usando uma mesma camiseta, começou a circular na noite de terça-feira (31) e estampou os jornais e os noticiários nesta quarta-feira (1º), em Buenos Aires.
Os homens haviam frequentado juntos o Instituto Politécnico Superior General San Martín, da cidade de Rosario, formando-se em 1987. No momento da foto, estavam embarcando no aeroporto desta cidade para São Paulo, onde fizeram escala para ir a Nova York.
No total, eram dez - um embarcou em outro voo, o outro, Martín Marro, vive nos EUA e se juntou ao grupo aí. A proposta da viagem era comemorar o aniversário de 30 anos de formatura do grupo.
A festa, porém, terminou em tragédia. Dos oito que aparecem na imagem, cinco morreram na terça-feira. Marro está internado, em estado grave, mas fora de perigo. Os mortos são Hernán Diego Mendoza, Diego Enrique Angelini, Alejandro Damián Pagnucco, Ariel Erlij e Hernán Ferruchi.


