São Paulo - Horas depois de o Japão equiparar o acidente nuclear em Fukushima Daiichi à tragédia de Tchernobil, o premiê japonês, Naoto Kan, tentou acalmar os japoneses e o mundo e afirmou que a situação na central nuclear está sendo estabilizada ''passo a passo'' e que os vazamentos radioativos estão diminuindo. ''Passo a passo, os reatores da central avançam para a estabilidade. O nível de vazamento radioativos está caindo'', afirmou em uma entrevista coletiva.
Kan pediu ainda aos japoneses que retomem uma vida normal, em meio ao temor da extensão da contaminação por radioatividade nos alimentos e peixes -alimento central da cultura japonesa.
O otimismo de Kan, contudo, não foi reproduzido por um funcionário da Tokyo Electric Power Company (Tepco), operadora da usina nuclear de Fukushima, que afirmou à agência de notícias Kyodo que teme que os vazamentos de materiais radioativos na central igualem ou superem no futuro os ocorridos em 1986 em Tchernobil (Ucrânia). ''O vazamento de radiação não foi completamente controlado e nossa preocupação é que a quantidade possa a longo prazo alcançar ou superar a de Tchernobil'', indicou o funcionário, que não quis se identificar.
Pouco antes, o governo elevou a gravidade do desastre de 5 para 7 na escala INES, colocando o acidente no mesmo nível de Tchernobil, na Ucrânia, considerado até então o maior desastre do gênero no mundo. As medidas disponíveis da radioatividade que escapou da central de Fukushima ''mostram níveis equivalentes ao grau 7'', o máximo na escala de eventos nucleares e radiológicos, confirmou a Agência de Segurança Nuclear japonesa em entrevista coletiva na manhã de ontem no horário local.
A agência ressaltou, contudo, que, o volume de emissões radioativas equivalem a cerca de 10% do registrado em Tchernobil. O porta-voz da agência, Hidehiko Nishiyama, disse que, ao contrário de Tchernobil, em Fukushima, o nível de radiação, apesar de ser alto, permite que os operários trabalhem nas instalações para estabilizar as quatro unidades mais danificadas. ''Vamos continuar observando a situação. Este é um nível provisório'''', informou a agência, destacando que o grau definitivo do acidente em Fukushima será definido posteriormente por um comitê internacional de especialistas.
O governo japonês disse ontem que a radiação acumulada durante 25 dias em várias localizações da província de Fukushima excedeu os níveis máximos estabelecidos para o período de um ano.

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