Após ação que matou 202, vingança faz mais mortos
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sábado, 25 de novembro de 2006
Folhapress 
São Paulo- Em uma vingança pela série de atentados em Sadr City na quinta-feira, que deixou mais de 200 mortos, uma milícia xiita matou 25 árabes sunitas ontem - seis dos quais foram encharcados com querosene e queimados vivos - perto de um posto do Exército iraquiano em Bagdá.
A suposta vingança foi realizada em retaliação às explosões de quinta-feira, que constituem o pior incidente de violência sectária desde o início da Guerra do Iraque, em 2003.
Com a onda de violência de ontem, especula-se que o país - já mergulhado no caos - poderá enfrentar uma piora ainda maior nos conflitos sectários. Em outubro, o número de mortes entre civis no Iraque chegou a 3.709 pessoas, segundo um relatório da ONU divulgado há dois dias.
Durante o ataque aos sunitas ontem, soldados iraquianos que trabalhavam em um posto próximo do local apenas observaram e não intervieram quando a milícia xiita do Exército Mahdi, armada com metralhadoras e lança-granadas, tomou o bairro de Hurriyah.
Os guerrilheiros queimaram quatro mesquitas e várias casas, além de atacarem civis que se dirigiam para casa após o trabalho, de acordo com o capitão de polícia Jamil Hussein.
Hussein confirmou que ao menos 25 sunitas morreram e 14 ficaram feridos na ação dos guerrilheiros. O ataque começou por volta das 14h15 (9h15 pelo horário de Brasília), violando um toque de recolher de 24 horas decretado pelo governo para tentar conter a violência.
Homens armados leais ao clérigo radical xiita Moqtada al Sadr, líder do Exército Mahdi, começaram a ocupar o bairro de Hurriyah no último verão, forçando a fuga de muitos sunitas.
Em outros ataques ontem, ao menos 22 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas na cidade de Tal Afar (norte de Bagdá) quando dois suicidas detonaram bombas simultaneamente. As explosões, que aparentemente tinham civis como alvo, foram realizadas em um mercado de veículos ao ar livre.
Tal Afar já foi uma região dominada pela insurgência de grupos sunitas ligados à rede terrorista Al-Qaeda. Os grupos haviam sido combatidos na região e, antes destes ataques, a cidade era considerada um exemplo bem-sucedido das ações de contra-insurgência do Exército dos EUA.
A Casa Branca afirmou ontem que a série de explosões em Sadr City ontem foi um ''ato sem sentido'' planejado para causar instabilidade no Iraque. ''Os Estados Unidos estão comprometidos com a ajuda ao povo iraquiano'', disse o porta-voz do governo Scott Stanzel.


