Porto PrÍncipe (Haiti) - Após quatro adiamentos e problemas na montagem da estrutura eleitoral e em meio ao receio de um novo ciclo de violência política, os haitianos finalmente deram sinais de disposição de participar das eleições presidenciais, marcadas para hoje.
Dos 3,5 milhões de haitianos que solicitaram o título de eleitor, estimados 3,2 milhões haviam comparecido aos locais de retirada até o final da tarde de ontem. Funcionários da Minustah (missão de estabilização da ONU) estimam que a participação ultrapasse os 50%, percentual maior do que o das últimas eleições, que variam de 20% a 30% o voto não é obrigatório no Haiti.
''Todos os preparativos estão dentro do prazo, o material eleitoral foi distribuído, e há uma clara vontade da população em participar'', disse o britânico David Wimhurst, porta-voz da Minustah. ''A máquina eleitoral está funcionando, e ninguém será capaz de pará-la.''
A retirada do documento eleitoral que traz a foto e serve também como carteira de identidade foi intensa na manhã de ontem na sede do Conselho Eleitoral Provisório (CEP), em Delmas, distrito de Porto Príncipe. Ao menos 2.000 pessoas faziam uma fila de até seis horas de espera.
A grande afluência às vésperas da eleição tem sido vista pelos funcionários eleitorais como um sinal de que os haitianos irão de fato às urnas, embora muitos demonstrem mais interesse em possuir uma carteira de identificação do que em depositar seu voto.
Já no montanhoso interior do país, parte de distribuição de material eleitoral está sendo feita no lombo de mulas.
Parte das mulas contratadas substitui a falta de helicópteros.
As eleições presidenciais e legislativas de hoje são as primeiras desde a queda do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, atualmente no exílio. Os mais de 30 candidatos incluem alguns dos líderes do movimento que o derrubou, como o empresário ''Charlito'' Baker, segundo nas pouco confiáveis pesquisas eleitorais, e o ex-policial Guy Phillipe. As pesquisas dão ampla vantagem a Préval, líder de uma coalizão de centro-esquerda que tem o apoio de parte da Família Lavalas, de Aristide.
Préval, 63 anos, diz que espera vencer ainda no primeiro turno e cita pesquisas que lhe dão até 65%. Contribui também para a eleição o clima de tranquilidade nos últimos dias, inclusive em Cité Soleil, única região do país onde não foi possível instalar centros de votação por conta da situação fora de controle os eleitores terão de percorrer até 8 km para votar.
A grande preocupação da Minustah será justamente a segurança dos pontos de votação próximos de Cité Soleil, que receberão um esquema especial. O principal temor são ataques a tiros contra eleitores nas filas a partir de carros em movimento, prática registrada em eleições anteriores.
A Minustah empregará a sua força máxima para as eleições, com 7.500 soldados e 1.700 policiais. A Polícia Nacional Haitiana, com 6.000 homens, também estará de prontidão.

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