Após 2,5 anos de prisão, Mubarak é levado a hospital
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quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Folhapress 
São Paulo - O ex-ditador do Egito Hosni Mubarak foi liberado ontem da prisão de Tora, nos arredores do Cairo, e transferido para um hospital militar na capital egípcia. A soltura acontece um dia após a Justiça autorizar que o ex-mandatário responda em liberdade condicional às acusações a que lhe foram imputadas.
Mubarak deixou a cadeia em um helicóptero do Exército, que o levou ao hospital militar de Maadi, no sul do Cairo, local escolhido pelo próprio ex-ditador. A saída foi acompanhada por centenas de jornalistas e milhares de apoiadores do mandatário, que comandou o Egito por 30 anos.
A liberação é feita após expirar o prazo máximo da prisão preventiva do mandatário no processo em que é acusado de corrupção no jornal Al Ahram, que o mantinha na cadeia. No início do ano, havia vencido o limite de detenção provisória para a acusação de envolvimento na repressão à revolta que levou à sua queda.
Após a decisão judicial, o primeiro-ministro Hazem al-Beblawi emitiu um decreto para que Mubarak fosse colocado em prisão domiciliar, aproveitando as atribuições dadas pelo estado de emergência, em vigor no Egito desde a semana passada.
O ex-ditador deverá voltar ao tribunal no próximo domingo, em sessão de depoimentos sobre o caso de repressão policial. Mubarak havia sido condenado em junho do ano passado à prisão perpétua, mas foi a novo julgamento após recursos da defesa e da acusação.
O ditador estava preso desde fevereiro de 2011, semanas após a revolta que o retirou do governo. No caso de corrupção, Mubarak é acusado de retirar US$ 11 milhões (R$ 26,4 milhões) de verba do jornal estatal Al Ahram durante seu governo.
Comandante do país entre 1981 e 2011, Hosni Mubarak foi um dos ditadores africanos retirados do poder durante a onda de revoltas nos países da região conhecida como Primavera Árabe. Após sua queda, o Egito passou por um processo eleitoral que terminou com a vitória do islamita Mohamed Morsi.
Morsi foi deposto em 3 de julho, após uma intervenção comandada pelo chefe militar egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, em resposta a protestos de grupos liberais que acusavam o presidente eleito de autoritarismo e imposição da lei islâmica.
A queda do islamita provocou uma nova crise política, desta vez com protestos da Irmandade Muçulmana, à qual Morsi era filiado, que deixaram mais de 1,2 mil mortos em 50 dias. O temor é que, após a liberação do ex-ditador, a situação do país se deteriore mais.


