No âmbito da estratégia emocional escolhida pelo presidente americano Bill Clinton, que agora está encurralado por causa do relatório do promotor especial Kenneth Starr, sua mulher Hillary pode surgir como sua arma secreta.
Desde a confissão de 17 de agosto, Hillary, humilhada publicamente, escolheu o silêncio.
No dia seguinte à confissão de Clinton, só emitiu um comunicado melancólico no qual reafirmava que ‘‘ama seu marido’’ e que lhe ‘‘importa seu casamento’’, sem mencionar a infidelidade dele.
Mas o ambiente de cataclismo político que agora reina na Casa Branca, depois da entrega ao Congresso do explosivo relatório Starr, numerosos assessores do presidente começaram a pressionar para que Hillary se pronunciasse publicamente a favor de seu marido.
Alguns assessores entendiam que somente o perdão público de Hillary poderia, agora, ajudar os Estados Unidos a absolver o presidente.
No momento em que a conduta de Clinton foi qualificada de ‘‘imoral’’ por alguns altos dirigentes democratas, seu índice de popularidade registrou uma baixa de sete pontos em relação a agosto passado, segundo uma pesquisa feita pelo canal de televisão ABC.
Alguns experts estimam que o capital de apoio com o qual, aparentemente, conta ainda o presidente junto à opinião pública americana, pode ser derrubado por certos detalhes escabrosos sobre seu caso com Monica, contidos no relatório Starr, agora acessível pela rede Internet.
Nos últimos dias, e numa luta desesperada por sua credibilidade, Clinton deu inúmeras manifestações de emoção e arrependimento, pedindo com uma voz rouca e grave ‘‘compreensão e perdão’’ e se declarando ‘‘decidido a recuperar a confiança de todos os americanos’’.
‘‘São os dias mais difíceis de minha vida’’, reconheceu em Orlando, Flórida.
Essa estratégia emocional, que também aplicou junto aos líderes do Senado e aos membros de seu gabinete, já deu seus frutos entre os dirigentes democratas da Câmara de Representantes.
Neste contexto, a absolvição pública de Hillary, que já perdoou em outras circunstâncias privadas e públicas Bill Clinton, observada em recente pronunciamento, quando elogiou seu marido e o presidente dos Estados Unidos, teve peso maior. É verdade que os mais exigentes consideraram que o abraço que Bill e Hillary trocaram depois do discurso com que a primeira-dama apresentou o marido não foi muito caloroso. Todavia, a presença constante da esposa, nos últimos dias, ao lado do presidente, tem servido muito para melhorar a imagem de Clinton. E não faltam os que entendem que a questão é doméstica e que se a mulher perdoou o marido, os outros não têm nada a ver com isto.

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