Milhares de pessoas voltaram a se manifestar, ontem, na ilha indonésia de Java, em apoio ao presidente Abdurrahman Wahid, ameaçado de destituição pelo parlamento.
Seis mil pessoas marcharam em Tuban (leste de Java) e lançaram pedras contra um prédio público, depois de obrigar responsáveis locais a assinar um texto em favor de Wahid. Milhares de pessoas também se manifestaram em Yogyakarta (centro de Java). Em Jacarta, centenas de estudantes reuniram-se em frente ao parlamento, que há 10 dias fez uma advertência a Wahid por seu envolvimento em dois escândalos financeiros, primeira etapa até o processo de destituição.
Semana passada, 10 comitês do Golkar – partido do ex-presidente Suharto – foram atacados ou incendiados durante manifestações no leste de Java, bastião dos partidários de Wahid. O chefe de Estado viajou na última sexta-feira à região, para pedir calma aos partidários.
Várias vozes se elevaram nos últimos dias para que Wahid se demita, o que ele se recusa a fazer. Um dos irmãos do presidente, Salahuddin Wahid, sugeriu ontem que ele se distancie do poder e confie maiores atribuições à vice-presidente, Megawati Sukarnoputri. Filha do primeiro presidente indonésio, Sukarno, ela dirige o principal partido do país.
Salahuddin Wahid, vice-presidente da Organização Muçulmana Nahdlatul Ulama, precisou, no entanto, que qualquer decisão de delegar maior autoridade a Megawati deveria ser tomada de forma constitucional e de comum acordo. Já a vice-presidente não comentou o assunto.
Uma pesquisa de opinião publicada ontem na revista semanal Tempo mostrou que a maioria dos indonésios apóia a ofensiva parlamentar contra Wahid, o que não se traduz, segundo o estudo, em um apoio majoritário à destituição do presidente. A idéia central é a de que se faça uma investigação isenta a fim de apurar se são reais as acusações contra o presidente.

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