Apoiadores do governo do Irã convocam manifestação para sexta-feira
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
BBC-Brasil 
Manifestantes pró-governo do Irã convocaram uma manifestação em apoio ao regime na próxima sexta-feira (18), depois que grupos de oposição e apoiadores do governo se enfrentaram durante o funeral de um estudante morto em protestos.
Em comunicado, o Conselho de Coordenação da Publicidade Islâmica, aliado do governo em Teerã, pede que, após o sermão religioso da última sexta-feira(11), os iranianos "mostrem seu ódio aos 'líderes da sedição (incitação ao tumulto)'".
A mensagem se refere aos líderes da oposição e ex-candidatos presidenciais Mir Hossein Mousavi e Mahdi Karroubi, que estão em prisão domiciliar.
Ativistas contrários e favoráveis ao governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se enfrentaram hoje (16) durante o funeral de um estudante morto em protestos contra o governo realizados na segunda-feira (14).
Confronto
O conflito teve início porque tanto representantes de uma facção como da outra afirmam que o estudante morto era um de seus correligionários.
O confronto entre as duas facções ocorreu durante o cortejo fúnebre do estudante Saneh Jaleh, que teve início na Universidade de Teerã, no centro da capital, segundo a agência de notícias oficial iraniana IRIB. A agência oficial não deu informações sobre feridos.
O repórter da BBC Mohsen Asgari, que participou do cortejo, disse não ter visto confrontos mais graves. Mas acrescentou que a polícia bloqueou todas as ruas que davam acesso à universidade e só estava permitindo a entrada de simpatizantes do governo.
Jaleh, de 26 anos, foi uma das duas pessoas mortas durante os protestos da segunda-feira.
As manifestações foram as primeiras realizadas no país em mais de um ano e as maiores no Irã desde 2009, quando grupos opositores foram às ruas para protestar contra supostas fraudes ocorridas nas eleições presidenciais que reelegeram Ahmadinejad.
Os protestos reuniram milhares de pessoas e reforçaram a onda de manifestações antigovernos que está varrendo diferentes países árabes e muçulmanos.
Manifestações populares tiveram início na Tunísia em dezembro passado e provocaram a deposição do então presidente do país, Zine al-Abidine Ben Ali, no final de janeiro. Na semana passada, uma série de manifestações provocou a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak.
Nos últimos dias, também foram realizado protestos no Barein, que já deixaram três pessoas mortas, e manifestações na Argélia, Iêmen e Jordânia.
Ativistas se enfrentaram durante o funeral de Sanee Zhaleh
'Lugar algum'
Mahmoud Ahmadinejad afirmou em uma entrevista à TV local que os protestos da oposição realizados em várias cidades do país no início da semana "não vão a lugar algum" e prometeu punir os seus organizadores.
O presidente iraniano afirmou, durante a entrevista, que "inimigos" estão tentando "manchar o esplendor da nação iraniana".
Na semana anterior, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, havia elogiado os protestos no Egito e os comparado à Revolução Islâmica de 1979 no Irã.
Dezenas de pessoas foram presas após os protestos e vários líderes da oposição, entre os quais Mir Hossein Mousavi e Mahdi Karroubi, foram colocados em prisão domiciliar.
Na terça-feira, parlamentares iranianos aliados ao governo pediram que Mousavi e Karroubi fossem julgados e executados por terem convocado os protestos.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou duramente a resposta das autoridades iranianas aos protestos.
"Acho irônico que você tenha o regime iraniano pretendendo celebrar o que aconteceu no Egito, quando de fato eles agiram em contraste direto com o que aconteceu no Egito ao abater e golpear pessoas que estavam tentando se expressar pacificamente", disse o presidente americano.
Obama afirmou que os Estados Unidos não podem determinar o que acontece dentro do Irã, mas que esperava que as pessoas tivessem "a coragem de serem capazes de expressar sua nostalgia por uma maior liberdade e por um governo mais representativo". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.


