Tóquio - Capital mundial do pacifismo, a cidade de Hiroshima (sul do Japão) lembra hoje o dia em que o planeta entrou na era nuclear. Outras solenidades acontecerão três dias mais tarde em Nagasaki (sul). Foi no dia 6 de agosto de 1945, às 08h15 exatamente, numa hora de grande movimento, que o bombardeiro B29 americano ''Enola Gay'' lançou a bomba A sobre Hiroshima.
A bomba explodiu a 600 metros de altitude, arrasando instantaneamente a cidade. Cerca de 140 mil pessoas mais da metade da população da cidade em 1945 morreram imediatamente e nos meses que se seguiram, vítimas da radiação ou de queimaduras extremas.
No dia 9 de agosto, 74 mil pessoas morreram no segundo bombardeio atômico sobre Nagasaki. Mas, apesar dos ''hibakushas'' (sobreviventes irradiados), dos mais idosos e políticos comprometidos formularem votos de paz durante as cerimônias de homenagem aos mortos, as armas nucleares continuam a ameaçar a segurança internacional, como provam as crises norte-coreana e iraniana.
País vizinho do Japão, a Coréia do Norte vangloriou-se em fevereiro passado de possuir a arma atômica. O desmonte de seu programa nuclear está atualmente no centro das negociações muito difíceis em Pequim, com a China, os Estados Unidos, a Coréia do Sul, o Japão e a Rússia.
Pouco depois, o Irã anunciou a retomada de seu programa de enriquecimento de urânio, questionando o acordo de Paris arrancado pela União Européia após vários meses de discussões em novembro de 2004. Mais preocupante ainda para a comunidade internacional é o risco de um ''11 de setembro nuclear'' recentemente evocado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na hipótese de a arma atômica vir a cair nas mãos de terroristas.
Em fevereiro de 2004, o pai da bomba atômica paquistanesa, Abdul Qadeer Khan, considerado um herói nacional, admitiu ter realizado exportações ilícitas de tecnologia nuclear em benefício do Irã, da Coréia do Norte e da Líbia. ''A natureza da ameaça ligada ao nuclear mudou e o sistema disponível na comunidade internacional para responder não está adaptado'', acusa a ex-embaixatriz Kuniko Inoguchi, que até o ano passado representava o Japão nas questões de não-proliferação nuclear.
Hoje, pelo menos oito países podem afirmar que possuem a arma nuclear: Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, China, França, Índia, Israel, Paquistão e, talvez, a Coréia do Norte. Há poucas esperanças de que eles desistam de seu arsenal.

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