Missão da ONU contará com 700 profissionais estrangeiros de várias áreas que ajudarão a reconstruir o Timor Leste a partir de janeiro
France PresseINDICAÇÕES PESSOAIS Sérgio Vieira de Mello, responsável pela missão da Untaet




Cláudia Dianni
Agência Estado
De Brasília

O Brasil corre o risco de enviar apenas um brasileiro para integrar o quadro de 700 profissionais estrangeiros que a Administração Temporária das Nações Unidas para o Timor Leste (Untaet) espera contar para iniciar os trabalhos de reconstrução do país, em janeiro. Essa poderá ser a discreta participação brasileira, pelo menos no início dos trabalhos, caso o processo de seleção de profissionais brasileiros interessados em trabalhar no Timor não seja acelerado. A missão da Untaet no Timor deverá durar de dois a três anos, quando o país será entregue ao poder interno, a ser constituído.
Desde que a Untaet começou a selecionar estrangeiros para trabalhar na reconstrução do país, em outubro, o Brasil mandou 59 currículos, dos quais apenas oito foram selecionados. Dos escolhidos, quatro profissionais do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), do Rio, aguardam por instruções e outros desistiram de viajar. A Índia, por exemplo, já enviou mais de mil currículos e a pequena Guiné-Bissau, 20, segundo fontes ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU).
Esses, porém, são os números das indicações feitas pelo Itamaraty. O responsável pela missão da Untaet, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, funcionário da ONU, indicou outros cinco brasileiros que vão atuar nas áreas de comunicação, planejamento urbano e Justiça. Apesar de esperar reunir 700 profissionais em janeiro, a Untaet pretende aumentar o contigente de técnicos estrangeiros no Timor para 1.100, até maio. A missão dos especialistas é criar condições e infra-estrutura nas áreas de agricultura, saúde, educação, justiça e administração pública.
Até agora, o Brasil só confirmou a ida de um brasileiro: o procurador regional da República, Eugênio Aragão, que espera embarcar para o Timor na semana que vem, mas ainda não recebeu instruções para isso. ‘‘Não sei exatamente o que se espera de mim’’, disse Aragão. ‘‘Mas sei que o Judiciário do Timor foi totalmente destruído, até processos desapareceram por lᒒ. Para Aragão, o Brasil ainda está ‘‘muito tímido’’ em termos de participação em missões internacionais.
‘‘A diplomacia tentou enviar um contigente maior de soldados para Timor, mas o Ministério da Fazenda brecou’’, disse. Em setembro, o Brasil enviou um pelotão da Polícia do Exército de Brasília, com 51 soldados, para ajudar no policiamento civil em Timor. ‘‘A participação do Brasil é um investimento em termos geopolíticos’’, afirmou Aragão, que é professor de direito internacional na Universidade de Brasília.
‘‘O tamanho do território já não conta mais, e o Brasil tem de participar ativamente se quer mesmo ter um assento no Conselho Permanente de Segurança da ONU’’, disse. ‘‘O que conta no cenário internacional é liderança’’.
De acordo com o Itamaraty, enquanto a Untaet estiver administrando o Timor, a participação do Brasil deve ser no âmbito multilateral e o País não pode oferecer nada além do que é solicitado pela ONU. Segundo diplomatas do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro está enviando currículos de acordo com as solicitações da ONU. O Itamaraty tem solicitado a órgãos do governo, fundações e universidades que indiquem profissionais dispostos a trabalhar na reconstrução do País.
Essas instituições enviam currículos de especialistas, de acordo com as áreas solicitadas pela ONU, ao Itamaraty, que faz uma pré-seleção e manda os currículos a Nova York, sede da ONU. A ONU faz um contrato de trabalho temporário com o profissional que varia de três a seis meses. Se for funcionário público, o especialista tem direito a licença não remunerada para servir na ONU. Os salários pagos pelas Nações Unidas variam de US$ 4 mil a US$ 7 mil, de acordo com as qualificações e experiência do profissional.
O Itamaraty está recrutando especialistas, principalmente, em orgãos públicos. Mas os interessados em oferecer-se como voluntários para atuar em Timor Leste podem entrar em contato com o Serviço de Voluntários das Nações Unidas. Nesse caso, porém, a ONU não oferece salário, mas uma diária para moradia e alimentação, que varia de acordo com o local para o qual o voluntário é enviado. Os especialistas da ONU avisam, porém, que, para ser voluntário é preciso ter nível superior e no mínimo dois anos de experiência na área em que se deseja atuar. O escritório do Serviço de Voluntários da ONU fica em Brasília e o telefone é 61/329-2065.
O Itamaraty tem concentrado os pedidos, de indicação de especialistas nos Ministérios da Saúde, Educação, em órgãos da Procuradoria de Justiça, no Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), no Rio de Janeiro, no Senai, de São Paulo, na Fundap, na Embrapa e na Universidade de Brasília.

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