CaracasO vice-presidente José Vicente Rangel pediu ontem calma aos simpatizantes do Governo, que reagiram indignados à sentença do Supremo, quarta-feira, que decidiu não julgar os quatro militares de alta patente envolvidos no golpe de Estado de 11 de abril. Rangel abandonou a sede da vice-presidência e saiu às ruas para intervir a favor de um repórter de televisão que estava sendo insultado por um grupo de manifestantes.
O vice-presidente pediu calma a dezenas de pessoas que tinham bloqueado uma avenida do centro da capital e expressou seu ''claro repúdio'' à perseguição e à violenta atitude contra o repórter David Pérez da Rádio Caracas de Televisão e outros colegas. Rangel conversou com representantes dos grupos governistas e disse a todos que havia outras atitudes para expressar a rejeição à decisão do Supremo.
O vice-presidente afirmou que nos incidentes desta quarta-feira ''não foram três as pessoas baleadas, como divulgado a princípio, mas dois, um cinegrafista e um guarda nacional''. A imprensa de Caracas afirma que três pessoas ficaram feridas e outras foram afetadas pelos gases lacrimogêneos. E o diretor da Defensoria Pública, José Angel Rodríguez, indica que 15 pessoas ficaram feridas.
Rangel pediu aos manifestantes que voltassem às suas casas para evitar novos atos de violência e confrontos com a Guarda Nacional (GN, polícia militarizada).
O vice-presidente garantiu que a situação é de absoluta normalidade na capital e no resto do país.
OposiçãoSetores da oposição se mostraram, ontem, satisfeitos com a decisão da Justiça, destacando a vitória judicial obtida e se esquivando de uma análise da sentença, que, segundo especialistas em direito constitucional, como o advogado Carlos Escarrá, é ''juridicamente insustentável''.
Entre as interpretações dadas pela imprensa à sentença, destaca-se a do diário ''El Universal'', que passa pela absolvição dos militares golpistas para anunciar que com sua decisão o ''Tribunal Supremo aplainou o caminho para processar o presidente Hugo Chávez''.
O entendimento do diário coincide com o expressado em círculos políticos, nos quais se especula que, fracassada a opção militar para derrubar Chávez, se poderia optar agora pela via judicial, acusando Chávez de algum crime.

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