Aos 50 anos, Charles ainda espera a Coroa
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de novembro de 1998
Denis Hiault France-Presse 
Cronistas reais e revistas de fofocas de toda a Inglaterra especulam sobre o destino do eterno herdeiro do trono, o príncipe Charles, que completou 50 anos ontem. Todos concordam que sua espera para subir ao trono pode ainda ser longa, como foi a de Eduardo VII, que se tornou rei em 1901 com mais de 60 anos. O 50º aniversário de Charles é uma nova ocasião para renovadas especulações sobre as frustrações do príncipe e o estado de suas relações com sua mãe, a rainha Elizabeth II.
Seus assessores murmuram que o príncipe de Gales está farto de ser relegado a segundo plano pela rainha, engajada, aos 72 anos, em um demorado processo de modernização da monarquia. Elizabeth II exclui qualquer perspectiva de abdicação às portas do Terceiro Milênio e a idade não parece intimidá-la, como não intimida a rainha-mãe, hoje com 98 anos de idade.
As pesquisas de opinião são mais favoráveis ao príncipe Charles, mas o recente tratamento da mídia sobre seu aniversário também o lembrará da precariedade de sua volta por cima, resultado de uma intensa campanha de relações públicas.
Os britânicos, acreditam agora que Charles se comporta como um bom pai com Harry e William. Sessenta e três por cento acreditam que Charles será um bom rei, mas 34% consideram que ele deveria adbicar a favor de William e deixar a ele a tarefa de reconciliar a monarquia à sua época. Setente e sete por cento se opõem - inclusive a própria Elizabeth II e o arcebispo de Caterbury - a que Camilla Parker-Bowles, sua amante, possa se tornar rainha um dia.
A imprensa manifesta agora compaixão, real ou fingida, em relação a Charles, a quem sempre atormentou e pela qual ele sempre manifestou ter o maior desprezo, evidenciado mais uma vez na seguinte declaração:
A rainha tem garantida para sempre minha devota admiração e meu afeto e qualquer insinuação segundo a qual eu desejaria a abdicação de Sua Majestade é totalmente absurda, afirmou, indignado ao ponto de se esquecer do costume real de referir-se a si próprio na terceira pessoa.


