‘‘Ao caminhar, Pinochet surpreende o mundo todo’’ Agência Folha De Santiago A saída repentina de Augusto Pinochet anteontem à noite do hospital, onde permaneceu por menos de nove horas quando se esperava uma estada de dias, foi o último ingrediente de um retorno que desencadeou uma ‘‘tormenta política’’, segundo a manchete de ontem do diário chileno ‘‘La Tercera’’. O jornal ‘‘El Mercurio’’ mencionou uma articulação do governo para que o senador vitalício se retire da política e não compareça à cerimônia de posse do presidente eleito, Ricardo Lagos, no sábado, dia 11. Os principais jornais chilenos noticiaram a contrariedade do governo com a forma de recepção ao ex-ditador anteontem. As Forças Armadas desobedeceram à orientação de realizar um ato discreto. ‘‘Pinochet chegou demasiadamente saudável e sorridente, disseram dirigentes da ‘Concertación’’’, informou o ‘‘La Nación’’, referindo-se à avaliação da aliança socialista e democrata-cristã que governa o país. O ‘‘La Tercera’’ assinalou: ‘‘O governo e o círculo próximo a Ricardo Lagos temem que a cerimônia seja um sinal de que o general regressará à atividade política’’. Na cerimônia militar oficial, Pinochet ficou de pé, andou e demonstrou uma disposição física que contrastou com as últimas aparições em Londres, onde surgia como um homem debilitado. A rapidez dos exames no Hospital Militar de Santiago, porém, surpreendeu o governo e os críticos do ex-ditador, que o acusaram de falsear seu estado de saúde a fim de fugir da Justiça espanhola – que pedia sua extradição ao Reino Unido. De acordo com a mídia, o governo crê que o ‘‘tom de celebração’’ da chegada de Pinochet arranha a imagem do país na comunidade internacional, pois sinalizaria que será difícil julgá-lo no Chile, A manchete mais irônica de todas foi a do ‘‘Las Últimas Noticias’’: ‘‘Milagrosa recuperação; ao caminhar, Pinochet surpreende o mundo todo’’.