Brasília - O anúncio do pedido de demissão do primeiro-ministro da Itália, Sílvio Berlusconi, provocou ontem alta nos juros da dívida do país. Pelos dados oficiais, houve aumento médio de 7% nos valores, obrigando a um resgate da Irlanda, da Grécia e de Portugal. A incerteza política afetou também a Bolsa de Milão, que mudou a tendência positiva da abertura e caiu 3,3%.
O primeiro-ministro italiano anunciou ontem que renunciará depois de aprovadas as reformas econômicas exigidas pela União Europeia para reduzir o déficit público. Segundo ele, a alternativa para a situação no país é antecipar as eleições. Mas a decisão cabe ao presidente da Itália, Giorgio Napolitano, e não a ele.
''É necessário reerguer o país. É necessário dar uma resposta à Europa e aos mercados'', disse Berlusconi. ''Depois de mim, só vejo a possibilidade de eleições'', acrescentou. ''Não compete a mim decidir, mas só vejo a possibilidade de eleições antecipadas, porque, neste momento, o Parlamento está paralisado.''
Berlusconi reconheceu que o governo já não tem maioria absoluta. ''Temos de nos preocupar com o que ocorre nos mercados financeiros, que não acreditam que a Itália seja capaz de aprovar as medidas que a União Europeia nos pediu. É esta a primeira coisa com que temos de nos preocupar. Temos de demonstrar aos mercados que a coisa mais importante é o bem do país'', disse.

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