Anúncio de Chávez prejudica Venezuela
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Folhapress 
São Paulo - A Bolsa de Valores de Caracas registrou ontem queda, com o efeito sobre a confiança dos investidores causado pelo discurso do presidente venezuelano, Hugo Chávez, durante a posse do novo gabinete. O Índice Bursátil de Caracas (IBC) registrou ontem baixa de 18,66%.
Chávez anunciou que estatizará empresas de telecomunicações e elétricas, e defendeu uma reforma constitucional para implantar na Venezuela o que tem sido chamado de ''socialismo do século 21''. Ele afirmou também que planeja aumentar o controle estatal sobre projetos petrolíferos. ''Tudo o que foi privatizado, deixe que seja nacionalizado'', disse Chávez. ''Estamos nos movendo em direção à República Socialista da Venezuela, e isso requer um profunda reforma da nossa Constituição nacional (...) Estamos rumando ao socialismo, e nada nem ninguém pode impedi-lo.''
Chávez citou apenas a Companhia Nacional Teléfonos de Venezuela (CanTV), principal companhia de telefonia - privatizada em 1991 - e maior empresa de capital aberto do país, entre as que poderão ser estatizadas.
Os papéis da CanTV registraram ontem perda de 30,26% na Bolsa de Valores de Nova York. Logo após o anúncio de Chávez, as ações chegaram a cair 14,2%. Entre os acionistas da CanTV estão a espanhola Telefónica e a americana Verizon. Quando foi privatizada, a empresa atraiu investidores animados pelos rumores de que a empresa poderia ser adquirida pelo bilionário mexicano Carlos Slim, dono da Telmex.
Banco central - O diretor do banco central da Venezuela Domingo Maza Zabala descartou ontem a possibilidade de que o órgão possa perder sua autonomia. Zabala respondeu, assim, às declarações de Chávez, de que é necessário eliminar a autonomia do banco, por se tratar de um conceito ''neoliberal'', mesmo se para isso for preciso realizar uma reforma constitucional.
O diretor do BC venezuelano disse à rede de TV Globovisión que o fim da autonomia impediria o banco de exercer suas funções, entre elas a de manter o valor da moeda do país (o bolívar). ''Para poder exercer suas funções, o banco central precisa ser autônomo. A principal função do banco é manter o valor da moeda, tanto em seu poder aquisitivo interno como internacional, além de regular a liquidez'', disse Zabala.
O BC venezuelano também é responsável por ''manter em condições creditícias sadias o sistema financeiro, contribuir com o crescimento econômico equilibrado e com o bem-estar social'', destacou o diretor. ''Autonomia não significa autarquia, porque o banco central é um órgão do Estado venezuelano e deve cooperar com outros órgãos (...), de modo que trata-se de uma autonomia dentro dos objetivos do Estado'', acrescentou.
O banco central venezuelano, explicou Zabala, tem de prestar contas à Assembléia Nacional, tem de cooperar com a Superintendência de Bancos e ser submetido à fiscalização externa da Controladoria Geral da República. O banco é regido por uma lei de 2001, que define o órgão como ''autônomo para a formulação e exercício das políticas de sua competência'' e ''não sujeito a diretrizes do Poder Executivo''.


