Bissau Os militares voltaram a tomar o poder, ontem, em Guiné-Bissau, pequeno país africano de colonização portuguesa, afirmando que pretendem formar um governo de transição com todas as correntes políticas do país. A ''dissolução'' do governo foi anunciada às 8 horas na rádio privada Bomolong pelo comandante Zamora Induta, que era porta-voz da junta militar que dirigiu o país em 1999, depois que o presidente João Bernardo Vieira foi derrubado e antes da eleição de Kumba Yala em janeiro de 2000.
A partir de Lisboa, a agência de notícias Lusa, afirmou, citando fontes militares, que o presidente Kumba Yala e o primeiro-ministro Mario Pires, que estava no sul do país, foram presos.
Em um comunicado lido na rádio, o comandante Induta justificou o golpe pela falta de capacidade do governo de resolver os problemas urgentes do povo. Também recriminou o primeiro-ministro por suas ''declarações de guerra''. Pires foi acusado ainda de não pagar salários atrasados, situação que teria provocado convulsão social e sucessivas greves no país.
O toque de recolher foi imposto em todo o território, acrescentou o comandante, que convocou a população a permanecer tranquila até que se esclareça a situação.
Na capital Bissau, a calma reinava. Nenhum disparo foi ouvido durante este golpe que acontece a menos de um mês das eleições legislativas, adiadas quatro vezes e marcadas para o próximo dia 12. Na sexta-feira, a Comissão Nacional Eleitoral anunciou que ''tecnicamente não poderia organizar as eleições em outubro.

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