Anunciada morte de Abu Nidal
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segunda-feira, 19 de agosto de 2002
Das agências 
Ramalah, CisjordâniaO chefe do Fatah-Comando Revolucionário, Sabri al Banna, conhecido pelo nome de Abu Nidal, foi encontrado morto, crivado de balas, em seu apartamento de Bagdá, anunciaram ontem fontes palestinas em Ramalah, Cisjordânia. Segundo estas fontes, que pediram para manter o anonimato, Abu Nidal, de 65 anos, foi ''encontrado morto em seu apartamento, crivado de balas''. O jornal palestino Al Ayyam foi o primeiro a anunciar a morte de Abu Nidal, ontem, afirmando que estava morto há três dias em seu apartamento, sem maiores informações.
O encarregado de Assuntos Palestinos em Bagdá interrogado pela AFP disse não dispor de nenhuma informação sobre o assunto. O Iraque nunca admitiu que Abu Nidal estivesse em seu território.
Responsável por numerosos atentados, especialmente na Europa entre 1970 e 1985, o grupo de Abu Nidal figura na lista de organizações terroristas elaborada pelo Departamento de Estado norte-americano.
Seu grupo, que mudou várias vezes de aliados no mundo árabe, teria causado umas 900 vítimas, entre mortos e feridos.
O grupo Abu Nidal é responsável pelo assassinato de vários dirigentes moderados da Organização de Libertação da Palestina (OLP) encarregados das relações com a esquerda israelense, em particular de Ezzedin Kalak, em Paris, de Said Hamami, em Londres, em 1978, assim como de Issam Sartaui, em 1983, em Portugal. O grupo Abu Nidal também lançou operações sangrentas contra interesses judeus: o atentado contra um grupo de crianças em Anvers (1980), contra uma sinagora em Viena (1981), e a tentativa de assassinato do embaixador de Israel em Londres (1982). Abu Nidal também foi processado na França pelo atentado antijudeu que causou seis mortos e 22 feridos em 1982 em Paris.
Uma de suas últimas grandes operações foi a cometida em dezembro de 1985 contra o boxe da companhia aérea israelense El Al nos aeroportos de Viena (3 mortos) e de Roma (15 mortos e 100 feridos).
Em 1987, o grupo anunciou a captura de oito ''espiões israelenses'' de nacionalidade belga e francesa, a bordo de um navio de turismo, o ''Silco''. Os reféns foram libertados, mas o nome do Fatah-CR seria depois citado no caso de vários sequestros de ocidentais no Líbano.
DesmentidoMohamed Al Bana, irmão de Sabri Al Bana, conhecido como Abu Nidal, disse que o dirigente radical palestino ''não está em Bagdá'' e duvidou que ele esteja morto, em declarações à rede de televisão por satélite catariana Al Yazira. O irmão de Abu Nidal, que falou por telefone ao vivo da cidade de Ramalah à emissora catariana, disse que ''alguns parentes em Bagdá me disseram que não estava no Iraque'', mas admitiu que ''não falo com ele há 38 anos''.
As declarações de Mohamed Al Bana deixam dúvidas sobre a suposta morte de seu irmão, cujo paradeiro era um mistério há mais de uma década, mas diversas fontes garantam que ele viveu na Líbia, de onde foi expulso há alguns anos, o que o obrigou a ir para outro país árabe, possivelmente o Iraque. Houve também rumores que o davam como prisioneiro do Egito, que sempre negou o fato.


