Antraz ameaça negócios nos EUA
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terça-feira, 30 de outubro de 2001
Siomara Tauster<br> Agência Lusa <br> De Nova YOrk 
A crise do antraz não só abalou uma das mais tradicionais instituições norte-americanas como pode ter comprometido em grande escala a economia do país, pois a maioria dos negócios nos Estados Unidos dependem dos Correios. É por meio dos Correios que contas são pagas, cobranças são feitas, mandam-se faturas, cópias de contratos e toda a papelada necessária para se conduzir negócios no país. A Potomac Eletric Power Co. não recebeu pagamentos dos clientes nos últimos dois dias, como estava previsto. São 700 mil cheques que garantem a sobrevivência da empresa. Lawrence A. White, presidente-executivo da Versar Inc. em Springfield, uma companhia que fornece serviço de segurança para outras empresas, disse que o Correios é a bóia salva-vidas da maioria dessas empresas. ''Sem os Correios a maioria não tem chance de sobreviver'' afirmou.
Quem poderá sair ganhando nessa ''guerra'' é a Internet. A AOL Time Warner Inc. confirma que os serviços de cartas eletrônicas subiu de 150 milhões para 280 milhões por dia desde os atentados.
A Federal Express (FedEx) e a United Parcel Services (UPS) são as únicas empresas que ainda não apresentaram problemas. Um funcionário da UPS acredita que a razão para não estarem vulneráveis aos ataques de antraz é o fato dos seus clientes terem a obrigação de se identificarem com nome e endereço.
Quando o diretor-geral dos Correios, John F. Potter declarou que ''não podia garantir que cada correspondência estaria livre de antraz e até sugeriu que os norte-americanos lavassem as mãos depois de abrir as cartas, ele não só deixou o público apavorado como também pode ter comprometido uma grande parte dos negócios no país.
''Os marqueteiros de mala direta (Direct Mail) já estavam com problemas por conta da recessão e da guerra. O antraz é tudo que eles não precisavam'', afirma Robert Weintzen, diretor da Associação de Marketing de Mala Direta. Ele disse que a afirmação do diretor-geral dos Correios é ''mais um peso num sistema que já apresentava problemas maiores do que podia aguentar''.
Os negócios que dependem da mala direta nos Estados Unidos gastam cerca de US$ 44 bilhões por ano, mas geram mais de US$ 528 bilhões em vendas. São responsáveis pelo emprego de 12 milhões de pessoas. Por causa do antraz, esses negócios também estão comprometidos. Os truques de publicidade utilizados para atrair a atenção do leitor já não funcionam.


