Antigos aliados desafiam Boris Yeltsin
Associated Press
De Moscou
No último desafio a um enfraquecido Boris Yeltsin, o ex-primeiro-ministro Yevgeny Primakov anunciou ontem em Moscou que irá liderar uma potencialmente poderosa coalizão à qual o presidente tem se oposto firmemente.
Yeltsin passou o dia de ontem no Kremlin com o novo primeiro-ministro Vladimir Putin definindo um ministério que será quase idêntico ao que ele demitiu na semana passada.
O desdobramento mais intrigante entretanto foi a decisão de Primakov de tomar parte numa aliança com o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov. Ambos são ex-aliados de Yeltsin que agora têm uma conta para acertar com o presidente.
Primakov e Luzhkov são dois dos mais populares políticos do país, e qualquer um dos dois seria um forte candidato à presidência nas eleições marcadas para meados do ano que vem.
Os dois se vincularam a vários preeminentes governadores regionais num bloco que está com sua atenção voltada para as eleições parlamentares de dezembro. Um bom desempenho nas urnas iria servir como um trampolim para um ou outro concorrer à presidência.
Entretanto, os dois políticos se esquivaram quando perguntados qual deles disputaria a presidência. Eu ainda não decidi, disse Primakov numa entrevista coletiva conjunta. Vai depender muito de eu sentir que o povo confia em mim. Não nos apresse, afirmou Luzhkov. Deixe-nos entrar no parlamento, e então tomaremos uma decisão.
Yeltsin, 68 anos, não pode por lei concorrer a um terceiro mandato. Mas ele claramente quer influenciar tanto a eleição parlamentar quanto a presidencial, e anunciou na semana passada que Putin é seu sucessor preferido. Yeltsin tem ficado cada vez mais isolado à medida que seu mandato se expira, e já teve querelas com os dois líderes da nova aliança.
Primakov foi um bem considerado primeiro-ministro até que Yeltsin o demitiu em maio aparentemente porque ele invejava a popularidade de Primakov. Luzhkov foi um aliado de Yeltsin por anos, mas eles têm se tornado rivais cada vez mais cáusticos nos últimos meses.
Yeltsin tem conseguido derrotar seus rivais políticos nesta década, e o Kremlin está ativamente empenhado em minar a nova coalizão. Mas com a saúde incerta de Yeltsin, seu errático comportamento e o fim de seu termo agora à vista, políticos têm sido encorajados a desafiá-lo.
O imprevisível presidente ainda não deu qualquer razão para a demissão na semana passada do então primeiro-ministro Sergei Stepashin. Mas a mídia russa tem especulado que o presidente estava descontente com o fracasso de Stepashin em evitar a formação da nova aliança. Acredita-se que Putin vá assumir uma linha mais dura contra o crescente número de oponentes políticos do Kremlin.





