Antibióticos criou organismos resistentes
Antibióticos criou organismos resistentes
Arquivo FolhaEFICÁCIA Criança do Pasquistão recebe vacina contra pólio. Cientístas afirma que método de prevenção serão a principal arma do homem contra as doenças no Século XXIA generalização do uso de antibióticos, adverte Luc Montaigner, criou organismos resistentes aos medicamentos. O mundo dos seres vivos tem uma capacidade de adaptação extraordinária e nossas armas para fazer frente às doenças tornam-se, em consequência, rapidamente inadequadas, afirma. E há o risco suplementar das chamadas resistências cruzadas. Na verdade, poderíamos alcançar os mesmos níveis de crescimento na pecuária e na agricultura sem empregarmos antibióticos, é uma questão de vontade e de vigilância sanitária.
Introduzida em 1942, a penicilina já era ineficaz contra 15% dos núcleos do estafilococo em 1946, exemplifica Heymann. Hoje, 80% desses mesmos núcleos existentes na população em geral resistem a esse antiobiótico, e 95% nos hospitais. A tuberculose, explica o norte-americano, não opunha nenhuma resistência aos antiobióticos há 20 anos, e hoje é cada vez mais insensível a eles. E a preocupação aumenta diante da dificuldade em se obter novos antibióticos. Basta dizer que de 1960 para cá não apareceu nenhuma nova categoria do produto, e a prevenção da doença é o único meio seguro de se garantir a resistência.
Vacinas Diante disso, os dois cientistas defendem que as vacinas serão a principal arma do homem contra as doenças no Século XXI. O desafio é, ao mesmo tempo, humano e financeiro diz Heymann. Os tratamentos mais onerosos não estão ao alcance da maior parte das vítimas de doenças infecciosas nos países em desenvolvimento, sobretudo da Ásia e da África, e isto reflete no reaparecimento de outras doenças como a tuberculose, por exemplo, concorda Montagnier.
Segundo o pesquisador francês, entre 10% e 30% da população africana estão infectados com o vírus da aids, e no mundo apenas 10% dos aidéticos conseguem se beneficiar da chamada triterapia. É preciso que se descubra a vacina contra a aids e a fórmula pela qual os tratamentos passem a ser acessíveis a todos, defende. Conforne Heymann, este esforço pode ser otimizado com a globalização das pesquisas epidemiológicas. Uma rede internacional de 83 laboratórios já foi constituída para estudar o desenvolvimento da gripe, e no ano passado a rede identificou o vírus da gripe de Hong Kong antes que esta pudesse provocar uma catástrofe.
É com base nestas pesquisas, lembra ele, que se atualiza anualmente a vacina contra a gripe, para melhor se adequar às evoluções do vírus. Paralelamente, defende o norteamericano, é necessário conter as outras doenças endêmicas conhecidas e que continuam matando gente. Um terço das mortes registradas em 1998 no mundo se devem às doenças infecciosas graves como a aids, tuberculose, cólera, malária e diarréia infantil.





