Xangai - O feriadão do Ano Novo chinês, o ano do Galo, que começou ontem, é uma das três ''semanas de ouro'' do ano impostas pelo governo para estimular o consumo, mas seu valor para a economia do gigante asiático é dúbio.
Algumas agências de viagem conseguem 30% de seu faturamento anual durante estes três períodos que ficam entre o final de janeiro e o início de fevereiro, com a Festa da Primavera, de 1º a 7 de maio, com a Festa do Trabalho, e de 1º a 7 de outubro com a Festa Nacional chinesa.
O gigante francês Carrefour, que abriu 57 supermercados na China, tem um volume de negócios 20% maior nos 60 dias em torno do Ano Novo chinês, segundo Zhang Lixia, porta-voz do grupo em Xangai. Entretanto, ainda que este período estimule alguns setores da economia, o sistema também satura os transportes do país e causa uma notável redução da atividade econômica durante três semanas do ano.
As ''semanas de ouro'', instauradas desde 1º de maio de 2000, geram um enorme movimento de viagens de férias, pelo menos entre os chineses que têm recursos para isso. ''O consumo de massa que é gerado causa grave tensão entre a oferta e a demanda, em especial nos destinos turísticos, serviços e transportes'', constata Zhang Guangrui, diretor do Centro de Pesquisas sobre o Turismo, da Academia de Ciências Sociais.
Segundo a Associação de Consumidores chineses, a quantidade de queixas de preços abusivos e de maus serviços aumentou 25% durante as semanas de 1º de maio e 1º de outubro.
O governo, mais sensível agora que antes com a depredação do patrimônio cultural e natural gerado pelo turismo em massa, deve distribuir melhor o tempo livre dos cidadãos das metrópoles, que representam 40% dos 1,3 bilhão de habitantes do país. De acordo com um informe da Comissão Para o Desenvolvimento e Reforma de 2005, as ''semanas de ouro'' de 1º de maio podem ser suprimidas e substituídas por finais de semana de quatro dias, instaurados no final de cada mês.
Para isso, os chineses teriam que abrir mão de pelo menos um dia de final de semana durante as três primeiras semanas de cada mês. Hoje, para obter as ''semanas de ouro'', os chineses devem trabalhar no final de semana anterior e no seguinte, para folgar durante sete dias.
A reforma permitiria, sem dúvida, escalonar os deslocamentos da população, que se concentram agora no início de maio e outubro. Entretanto, a grande migração do Ano Novo chinês, tradicionalmente ligada às reuniões de família, deve ser mantida.
O governo considera que o número de viagens no Ano Novo do Galo que se aproxima será de cerca de 200 milhões de pessoas, cerca de metade da população da Europa.

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