Ano 2000 alimenta atos radicais
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de março de 1997
France Presse 
RANCHO SANTA FÉ - A proximidade do novo milênio pode provocar a realização de mais atos apocalípticos idênticos aos suicídio coletivo de 39 membros da seita Porta do Paraíso, ocorrido quarta-feira no sul da Califórnia, segundo experts no fenômeno das seitas.
Esperam um presságio porque nos aproximamos do ano 2000, explicou Chip Berlet do Political Research Associates de Massachussets, grupo que observa e estuda os movimentos extremistas e as atividades de culto. E como procuram um presságio, acabam encontrando, acrescentou.
Ontem as famílias de muitos dos 39 suicidas da seita Porta do Paraíso se preparavam para enterrar seus entes queridos uma vez realizadas as autópsias. Entrementes, os investigadores do FBI examinavam os computadores da seita em busca de pistas e da procedência da grande quantidade de fenobarbital - um barbitúrico - que seus membros utilizaron para se suicidar.
Sociólogos e experts em seitas afirmaram que o ano 2000 não tem nenhum significado bíblico especial, mas os fundamentalistas religiosos e outros seguidores de crenças apocalípticas lhe têm dado essa significação por se tratar do fim do milênio.
James Lewis, do Instituto para o Estuda da Religião Americana, disse ontem à televisão americana NBC que à medida que nos aproximamos do segundo milênio haverá mais este tipo de comportamento extremo. Os analistas afirmam que quando realizou seu ataque com gás sarin no metrô de Tóquio, a seita japonesa Aum Shinrikyo (A Verdade Suprema) agiu impulsionada por uma filosofia apocalíptica.


