Com a missão empreendida ontem pelo secretário-geral Kofi Annan no Oriente Médio, a Organização das Nações Unidas (ONU) busca afirmar-se como um dos atores de primeiro plano na resolução do conflito israelense-palestino, segundo fontes diplomáticas em Nova York.
‘‘Pela primeira vez a ONU encontrou um lugar no tabuleiro do Oriente Médio’’, disse um desses diplomatas.
Annan saiu de Nova York no domingo, a caminho de Tel Aviv, onde chegou ontem à noite para se encontrar, já no aeroporto, com o chanceler israelense Shlomo Ben Ami.
Em seguida iria a Gaza, onde se encontra com o presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat e, hoje de manhã, fará o mesmo com o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak.
A mediação de Annan acontece em duas frentes: acalmar a violência israelense-palestina para colocar novamente nos trilhos o processo de paz, e conseguir a libertação de três soldados israelenses capturados no sábado pelas milícias xiítas do Hezbollah.
Annan deve pedir a Barak para ‘‘afrouxar a tenaz do ultimato’’ que lançou aos palestinos para que cessem as hostilidades e que expirou ontem à noite, depois da celebração judaica do Yom Kippur (Dia do Perdão).
Desde o começo da violência, no dia 28 de setembro passado, pelo menos 98 pessoas, em sua grande maioria palestinos, morreram nos territórios palestinos e em Israel.
Segundo um diplomata, Annan irá provavelmente hoje a Beirute, e possivelmente a Damasco, cujo governo exerce considerável influência sobre o Hezbollah. Ontem a ONU se declarou ‘‘otimista’’ em conseguir a liberdade dos três soldados israelenses em troca de libaneses presoem israel.
Outra missão de Annan é conseguir uma reunião conjunta de Arafat, Barak e os presidentes dos Estados Unidos, Bill Clinton, e do Egito, Hosni Mubarak.
A ONU atribuiu a missão de seu secretário-geral à necessidade urgente de por ponto final às tensões, cuja magnitude poderia provocar a explosão de ‘‘um conflito maior’’.
Annan disse ter a confiança dos israelenses e dos palestinos. Até agora, todos os governos israelenses foram categoricamente contrários a qualquer intervenção da ONU no conflito com os palestinos, porque consideravam as Nações Unidas como uma organização sistematicamente antiisraelense.
Um diplomata destacou que as coisas mudaram a partir do importante papel da ONU em maio, na retirada israelense dos territórios do sul do Líbano e que o governo hebreu classificou de muito positivo.
Annan também trabalhou para normalizar as relações entre a ONU e Israel. Seu esforço se traduziu na admissão de Israel num grupo regional, depois de vários anos de exclusão dos organismos das Nações Unidas.
Mas também é a personalidade conciliadora de Annan e sua vontade de chegar a um consenso o que tem lhe permitido ganhar a confiança de todos seus interlocutores.

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