Associated Press
De Nova York
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, recomendou ontem que a organização estabeleça uma operação civil e militar de grande envergadura para administrar a ex-colônia portuguesa de Timor Leste e conduzi-la à independência num prazo de dois a três anos.
Num relatório enviado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, Annan propôs o envio de cerca de 9 mil ‘‘capacetes-azuis’’ para o território, 200 observadores militares e 1.640 policiais. O contingente incluiria ainda grande número de civis para administrar os serviços públicos, o Legislativo e a Justiça.
Annan informou que Portugal e Indonésia concordaram em transferir a autoridade do território à Administração de Transição da ONU em Timor Leste (Untaet), tão logo seja criada pelo Conselho de Segurança.
Atualmente, uma força internacional da ONU (Interfet) liderada pela Austrália, com aproximadamente 5 mil homens e o aval do Conselho de Segurança, está em Timor Leste para deter a onda de violência desencadeada pelas milícias pró-Indonésia e organizar o retorno de milhares de refugiados. As milícias prometem reagir às forças da ONU. ‘‘Estamos prontos para fazer frente à Interfet nas próximas 48 horas’’, declarou ontem o comandante-chefe das milícias, João da Silva Tavares. Ele está com mil homens em Haekesak, território indonésio situado a 12 quilômetros de Balibao, sede de uma unidade da Interfet em Timor Leste.
Ontem, chegou a Dili o primeiro grupo de timorenses, de 150 pessoas, que havia buscado refúgio em Timor Oeste e voltou espontaneamente ao território. Milhares de pessoas que se esconderam nas montanhas e florestas também estão voltando para casa. A ONU espera iniciar na sexta-feira a repatriação dos refugiados na parte ocidental da ilha.

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