Anne Le Coz
France Presse
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, defendeu ontem, na Assembléia Nacional francesa, uma ‘‘futura ordem internacional’’, da qual a ONU seria fiadora, funcionando ‘‘como um pólo de consciência do mundo’’.
A ONU ‘‘pode se esforçar para ser uma ‘‘espécie de consciência do mundo’’ e ‘‘contribuir para a instalação de um novo sistema de normas, em função das quais a ação dos Estados e seus dirigentes poderão ser julgados objetivamente’’, acrescentou Annan.
Apesar de ser uma visita histórica, - a primeira vez que um secretário-geral da ONU fala na assembléia -, o discurso de Annan foi parcialmente obscurecido pela presença do Dalai Lama, que suscitou uma agitação de fotógrafos enquanto ouvia o discurso na tribuna.
Os deputados aplaudiram em especial duas passagens do discurso de Annan. Uma relativa a uma ‘‘francofonia ampliada’’ para evitar o surgimento de um mundo tristemente homogêneo’’, e a que concerne ao equilíbrio que manteve a ONU durante a crise iraquiana, ‘‘na espera de um sistema de segurança verdadeiramente coletivo.
‘‘Quando as operações para manter a paz se tornam necessárias’’ e, apesar de as organizações regionais terem um papel importante a desempenhar, qualquer intervenção militar da comunidade internacional deve continuar subordinada ao aval do conselho de segurança’’, frisou Annan.
Evocando o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Annan assinalou que ‘‘seus princípios constitucionais formam agora um código ético de referência para a comunidade internacional’’.
‘‘A segurança coletiva é indissociável da segurança individual e depende muito do respeito aos direitos humanos, insistiu.
‘‘É evidente que a pobreza e as violações repetidas aos direitos fundamentais alimentam o fanatismo, o nacionalismo e o terrorismo, que são em geral o fermento dos conflitos’’, acrescentou Annan.
Nesse novo contexto internacional também marcado pela mundialização dos intercâmbios, a ONU ‘‘pode ajudar a criar um clima propício à reflexão coordenada que permitirá achar soluções a perguntas mundiais e a definir a futura ordem internacional’’, concluiu Annan.
Dalai Lama O Dalai Lama, chefe espiritual dos tibetanos no exílio, chegou no início da tarde de ontem ao Palácio dos Campos Elíseos, para participar de um almoço oferecido pelo presidente francês Jacques Chirac por ocasião do 50º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
O Prêmio Nobel da Paz 1989 participa das cerimônias de aniversário da Declaração junto com outros premiados como a guatemalteca Rigoberta Menchu, con quem Chirac manteve uma entrevista.
A China reagiu negativamente à participação do Dalai Lama nas celebrações e chegou a pedir a Chirac que não o convidasse para o almoço.
A presidência francesa não fez comentários sobre a reação da China. Esta é a primeira vez que o Dalai Lama é recebido oficialmente no palácio presidencial francês.
Em seguida, o Dalai Lama esteve na Assembléia Nacional francesa, participando da solenidade que marcou a celebração da data, sendo alvo da atenção maciça da imprensa.

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