Annan pede que não haja acusações
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sexta-feira, 31 de agosto de 2001
France Presse<BR>De Durban, África do Sul 
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, pediu que não haja ''acusações mútuas'', principalmente no que diz respeito à crise no Oriente Médio, ao abrir ontem a Conferência da Onu contra o Racismo, em Durban (África do Sul). Quatorze chefes de Estado e delegados de mais de 150 países participam do evento, que deverá ser marcado pela polêmica envolvendo o Oriente Médio e a política de Israel, e pela questão das indenizações reclamadas em função da escravidão. O presidente de Cuba, Fidel Castro, e o líder palestino, Yasser Arafat, estavam entre os presentes.
''O povo judeu foi vítima do anti-semitismo em muitas partes do mundo e, na Europa, alvo do holocausto, esta abominação extrema. Este fato nunca deve ser esquecido, nem minimizado'', declarou Annan, na abertura da conferência. ''É compreensível, então, que muitos judeus se sintam mal com qualquer acusação de racismo contra o Estado de Israel, principalmente porque isto coincide com ataques cegos e totalmente inaceitáveis contra civis inocentes'', continuou.
''Por isso, não podemos esperar que os palestinos aceitem isto para explicar por que deveria ignorar-se o que lhes faz sofrer: deslocamentos, ocupação, bloqueio e execuções extrajudiciais'', acrescentou, provocando uma explosão de aplausos entre os delegados. ''Mas as acusações mútuas não são o objetivo desta conferência. Nossa principal missão é melhorar a sorte das vítimas'', disse o secretário-geral.
Dez mil manifestantes, convocados por várias organizações governamentais, fizeram uma passeata pelas ruas de Durban, cantando e dançando.
As consequências da escravidão, do colonialismo e do racismo continuam afetando a vida de milhões de pessoas, afirmou o presidente sul-africano, Thabo Mbeki. ''Muitos indivíduos sofrem ofensas e humilhações porque não são brancos (...) Suas culturas e tradições são tratadas com desprezo, consideradas selvagens e primitivas, e sua identidade é rechaçada'', criticou. ''Venho de um povo que viveu a experiência amarga da escravidão, do colonialismo e do racismo'', fez questão de destacar o presidente Mbeki.


