São Paulo - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu ontem ao grupo terrorista Hezbollah que liberte os dois soldados israelenses sequestrados em 12 de julho último (ação considerada o estopim do conflito que durou 34 dias e deixou um rastro de destruição e mortes). Annan também pediu que Israel ponha fim a seu bloqueio aéreo e marítimo contra o Líbano.
Annan, que iniciou sua visita de 11 dias pelo Oriente Médio por Beirute, capital do Líbano, reuniu-se com o ministro libanês da Energia, Mohammed Fneish, representante da ala política do grupo terrorista libanês Hezbollah, após encontro oficial com autoridades libanesas. O encontro ocorreu no escritório do primeiro-ministro Fouad Siniora, em Beirute.
A informação foi transmitida por uma autoridade libanesa que não quis ser identificada. Segundo a fonte, Annan pediu a autoridades libanesas que entreguem os dois soldados israelenses sequestrados pelo Hezbollah à Cruz Vermelha.
A ação levada a cabo pelo grupo para sequestrar os soldados deixou ainda oito soldados israelenses e dois membros do Hizbollah mortos. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse que não teria ordenado a captura de dois soldados israelenses se imaginasse que a ação levaria à guerra no Líbano.
Pouco antes, Annan afirmou que recebeu os respectivos compromissos do Líbano e de Israel de que cumprirão a resolução 1.701 do Conselho de Segurança. A resolução decreta o cessar-fogo no conflito entre Israel e o Hezbollah e estipula o envio de soldados da ONU e do Exército libanês para o sul do Líbano.
Após se reunir com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, e com Siniora, Annan disse que informou às autoridades do Líbano sobre o envio de 6.000 homens para o sul do país, integrando a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). ''Queremos uma paz total e permanente'', declarou o secretário-geral da ONU, que expressou a esperança de que a paz possa ser estabelecida com a ajuda de todas as partes envolvidas.
Forças internacionais O governo da Itália aprovou um decreto ontem que autoriza o envio a partir de hoje de tropas ao território libanês para reforçar a Unifil, anunciou a chefia do governo, ao final de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros. Além disso, o governo aprovou um pacote de US$ 38,4 milhões de ajuda ao Líbano.
A Itália prometeu enviar 2,5 mil soldados para a Unifil. Kofi Annan pediu que a Itália comande a Unifil a partir de janeiro de 2007, depois da França. A decisão do governo também autoriza o uso de US$ 239,1 milhões até 31 de dezembro para as forças de manutenção de paz.
O Ministério da Defesa italiano havia informado que uma força naval já estava preparada para transportar ao Líbano cerca de mil soldados, incluindo fuzileiros navais e especialistas em engenharia.

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