São Paulo - O enviado especial da ONU à Síria, Kofi Annan, pediu ontem ao Conselho de Segurança que mostre ao país árabe que haverá consequências aos seus atos, um dia depois do massacre de ao menos 200 no vilarejo de Tremseh. Annan afirmou que o massacre mostra que as resoluções da ONU estão sendo ignoradas.
Em uma carta ao Conselho, Annan afirmou ainda que o uso de artilharia, tanques e helicópteros contra a população de Tremseh viola o plano de paz aceito pelo ditador Bashar Assad e implementado desde abril.
''Tragicamente, nós temos agora outro lembrete triste de que as resoluções do Conselho continuam ignoradas'', diz a carta de Annan, alegando que ''é imperativo e não poderia ser mais urgente na luz dos recentes eventos'' que o Conselho de Segurança insista na implementação de suas resoluções e mande uma mensagem de que haverá consequências para o não cumprimento.
O Reino Unido apresentou esta semana mais uma proposta de resolução contra a Síria no Conselho de Segurança, na qual determinava que a violência deveria cessar em dez dias, sob pena de novas sanções econômicas. A Rússia, aliada da Síria, rejeitou o texto e disse que usará seu poder de veto no Conselho, caso vá para votação.
A oposição denunciou anteontem que a vila de Tremseh foi bombardeada pelas tropas sírias e por membros da milícia ''shabbiha'', uma força de segurança fiel a Assad e que se transformou em uma espécie de esquadrão da morte na repressão ao movimento da oposição nos últimos 15 meses.
Muitas pessoas foram mortas pelos disparos de artilharia, mas a oposição afirma que outros foram mortos pela ''shabbiha'' com tiros na cabeça, em estilo de execução.
Os números de mortos na Síria são quase impossíveis de serem verificados de maneira independente, já que o governo restringe acesso de jornalistas no país.
A oposição síria convocou a ONU a intervir no país após massacre. ''Deter esta loucura assassina que ameaça a instituição da Síria, a paz e a segurança na região e no mundo, requer uma solução urgente e forte do Conselho de Segurança (da ONU)'', disse o CNS (Conselho Nacional Sírio), a principal coalizão opositora.

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