France Presse




Orações e diplomaciaIraquiano e seu filho rezam em mesquita em Bagdá, enquanto Koffi Annan chega ao Iraque. Ele foi recebido ontem pelo vice-primeiro- ministro Tareq Aziz. Ambos estão otimistas quanto a uma solução diplomática para a crise

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, chegou ontem a Bagdá mostrando cauteloso otimismo quanto ao que chamou de ‘‘tarefa sagrada’’ de resolver pacificamente a crise entre o Iraque e a organização e procurando dispersar o temor iraquiano de que ele tenha trazido um ultimato, não uma oferta de compromisso.
‘‘Espero deixar Bagdá com um pacote que seja aceitável para todos’’, afirmou Annan ao desembarcar no Aeroporto Internacional Saddam, onde foi recebido pelo vice-primeiro-ministro Tareq Aziz. ‘‘Estou razoavelmente otimista de que descobriremos uma solução pacífica.
Aziz disse ‘‘compartilhar do otimismo’’ de Annan e prometeu empenhar-se em ‘‘discussões construtivas’’ para resolver a crise. ‘‘O que o Iraque quer é uma solução pacífica, equilibrada e justa, que preserve sua soberania, dignidade e segurança, assim como a adoção das resoluções da ONU’’, acrescentou.
As conversações formais entre Annan (que deve ficar no país até segunda-feira) e Aziz começam hoje e, se os primeiros encontros correrem bem, será marcada uma reunião com o presidente Saddam Hussein.
Annan reconheceu que sua missão, apoiada pelo Conselho de Segurança, pode ser a última chance de evitar um ataque liderado pelos EUA contra o Iraque, mas insistiu que não foi a Bagdá para dar um ultimato para que Saddam permita incondicionalmente que peritos da ONU inspecionem todos os lugares suspeitos de esconder armas de destruição em massa, incluindo seus palácios.
‘‘Creio ter idéias que, se aceitas, nos podem tirar do impasse’’, disse o secretário.
Annan não deu detalhes, mas os países do Conselho de Segurança (incluindo os EUA) já se dispuseram a permitir que, como quer Bagdá, diplomatas do organismo acompanhem os peritos nas inspeções. Além disso, a Grã-Bretanha acenou até com a possibilidade de que seja encerrado o embargo econômico imposto pela ONU em 1990.
‘‘As sanções podem ser levantadas se o presidente iraquiano deixar que os grupos de inspetores entrem em recintos-chave’’, assinalou o ministro britânico da Defesa, George Robertson, em entrevista ao jornal árabe ‘‘Al-Hayat’’. Robertson disse que ainda acredita na possibilidade de evitar um confronto.
Embora Annan tenha falado em ‘‘idéias’’ para resolver a crise, o porta-voz da ONU em Bagdá, Ahmed Fawzi, disse: ‘‘Não é hora de negociações. É hora de garantir que as resoluções do Conselho de Segurança sejam cumpridas.
Os EUA já avisaram que não aceitarão ‘‘qualquer acordo’’ que Annan possa acertar em Bagdá. Mas a França ressaltou ontem que, se o secretário firmar um compromisso com o Iraque, todos os integrantes do Conselho de Segurança terão de aceitá-lo.
‘‘Os membros do conselho, incluindo os EUA, devem ser lógicos consigo mesmos. Já que deram pleno apoio à missão de Annan, se este sair de Bagdá com um acordo, o conselho terá de aprová-lo’’, afirmou um porta-voz da chancelaria francesa, Yves Doutriaux.

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