Arquivo FolhaKoffi Annan (d) acha que terá o apoio unânime do conselho O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, começou ontem a discutir a escolha dos diplomatas que acompanharão os técnicos da organização na inspeção de oito palácios iraquianos suspeitos de esconder armas proibidas, depois de anunciar que obteve o apoio informal do Conselho de Segurança para o acordo acertado no domingo com o presidente do Iraque, Saddam Hussein. O governo americano informou que parte de suas dúvidas sobre o acordo já foi esclarecida, mas ressaltou que o fator decisivo para evitar um ataque ao Iraque será a efetiva cooperação de Saddam.
‘‘Se ele renegar seu acordo, temos garantias muito firmes de nossos amigos e aliados de que eles apoiarão o uso da força militar’’, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin. Para isso, os EUA e a Grã-Bretanha estão negociando com seus colegas do Conselho de Segurança a adoção de uma resolução que indique, pelo menos indiretamente, que será lançado um ataque antiiraquiano se o trato não for cumprido.
‘‘Queremos achar um modo de certificar que, se o Iraque violar o acordo, haverá sérias consequências’’, disse o embaixador americano na ONU, Bill Richardson. Seu colega francês, Alain Dejammet, afirmou que a França concorda com a inclusão da expressão ‘‘sérias consequências’’ no texto, mas, apesar do que disse Rubin, não apoiará automaticamente o uso da força, que necessitaria de uma resolução específica.
Embora tenham divergências sobre o próximo passo, os membros do conselho, segundo Annan, apóiam o acordo com Bagdá. ‘‘Tive um senso geral de aprovação dos integrante’’, disse ele após informar os 15 membros do organismo sobre o pacto, na noite de terça-feira. ‘‘Estou convencido de que, quando todas as explicações forem dadas, teremos um apoio forte e unânime do conselho.’
Os EUA, porém, ainda buscam esclarecimentos sobre alguns pontos do acordo - que evitou, em cima da hora, um ataque americano ao Iraque - e temem que os ‘‘procedimentos especiais’’ de inspeção previstos para os palácios minem o poder da Comissão Especial da ONU (Unscom), encarregada de supervisionar o desarmamento iraquiano. Na noite de terça-feira, Annan e o presidente americano, Bill Clinton, conversaram por telefone sobre a questão.
Segundo o Departamento de Estado, o governo Clinton já recebeu, como queria, garantias de que o chefe da Unscom, o australiano Richard Butler, continuará sendo o principal encarregado das inspeções. Obteve, ainda, garantias de que os diplomatas não exercerão funções de controle. Mas há outras questões que Washington quer que sejam definidas antes de dar total apoio ao acordo - entre elas, a composição da equipe diplomática que acompanhará o trabalho da Unscom.
Para discutir quem pode integrar a equipe, Annan reuniu-se ontem com Butler. Nenhum dos dois deu detalhes sobre o encontro, mas o embaixador russo na ONU, Serguei Lavrov, disse que, certamente, Annan equilibrará a nacionalidade dos diplomatas, já que uma das queixas de Bagdá é que os grupos de inspeção da Unscom são dominados por americanos e britânicos.

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