Nova York - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse ontem em sua última entrevista à imprensa como chefe da organização, que o pior momento de seus dez anos no cargo foi a invasão americana do Iraque em 2003. ‘‘O pior momento foi a guerra do Iraque que, como organização, não pudemos deter embora tenhamos feito tudo para isto’’, afirmou. ‘‘O outro momento doloroso foi a perda de nossos colegas em Bagdᒒ, acrescentou, fazendo referência ao atentado contra a sede da organização na capital iraquiana no qual morreram 22 pessoas, entre elas o enviado especial das Nações Unidas para o Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.
  Annan destacou que uma ação militar contra o Irã para frear as ambições nucleares do país seria ‘‘insensata’’ e ‘‘desastrosa’’. Ao ser indagado sobre se o modo com que o Conselho de Segurança da ONU está lidando com o Irã faz lembrar a situação relacionada aos preparativos da invasão do Iraque, Annan respondeu não acreditar que tenha chegado ‘‘a esse ponto’’.
  Os 15 membros da instância máxima da organização estão negociando atualmente a imposição de sanções a Teerã com o objetivo de forçar o país a abandonar seu programa nuclear.
  Em sua entrevista de despedida, Annan, que deixa o cargo aos 68 anos, também considerou um duro golpe o escândalo em torno do programa da ONU ‘‘petróleo por alimentos’’, principalmente ‘‘pelo modo com o qual foi explorado para prejudicar a organização’’. ‘‘Penso que quando os historiadores examinarem as evidências, eles vão tirar a conclusão de que houve, de fato, erros de gestão e várias pessoas da ONU envolvidas, mas o escândalo aconteceu nas capitais e em 2 mil empresas que concluíram acordos com Saddam Hussein por nossas costas’’, afirmou.
  Para o ganense, que será substituído pelo sul-coreano Ban Ki-moon, os maiores críticos da organização se encontram principalmente nos Estados Unidos. De fato, Annan foi muito criticado pelos conservadores americanos, que não lhe perdoaram sua denúncia da invasão do Iraque e sempre consideraram a organização ineficiente. ‘‘Aceitamos as críticas honestas e justas. O que quero dizer aos que querem enfraquecer e destruir a ONU é: se a ONU desaparecer, quem se encarregará de certas questões? Quem falará pelos pobres, e os defenderá?’’, finalizou Annan.

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