O secretário-geral da ONU afirmou, ontem, que a morte, num bombardeio norte-americano de quatro civis de uma organização para desativar minas em Cabul era ''um golpe duro para a ONU''. Kofi Annan disse também que a ameaça dos Estados Unidos de estender os ataques a outros países, além do Afeganistão, ''preocupou'' muitos Estados membros.
Em uma carta ao Conselho de Segurança sobre o início das represálias, o embaixador norte-americano na ONU, John Negroponte, advertiu que ''ações que envolvam outras organizações e Estados'' poderiam ser necessárias. Essa frase ''provocou certa preocupação entre os Estados membros'', disse.
Annan, que acabava de participar de uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança da ONU sobre a situação humanitária no Afeganistão, disse aos jornalistas que os membros do conselho tinham falado também da morte de quatro civis que trabalhavam para a entidade na capital do Afeganistão.
''Todos deram seus mais profundos pêsames às famílias desses trabalhadores humanitários, e frisaram que devemos fazer o possível para proteger a vida dos civis inocentes nessa luta'', assinalou.
Quatro civis de uma ONG para desativar minas, Consultores Técnicos Afegãos (ATC), morreram segunda-feira à noite e quatro ficaram feridos quando o escritório da organização foi atingido, segundo a ONU em Islamabad.
ATC é uma organização não-governamental que trabalha num programa contra as minas da ONU para Afeganistão.
O Pentágono anunciou que uma investigação foi aberta e considerou a possibilidade de que um míssil tinha se desviado de sua trajetória. O local da ONG não figurava em sua lista de objetivos, precisou o Pentágono.
A morte de civis trabalhando para a ONU ''é um assunto de grande preocupação para mim e o pessoal desta organização'', acrescentou Annan.
Também lembrou a morte, segunda-feira, de nove pessoas a bordo de um helicóptero da ONU abatido por um míssil na Geórgia.
Líder escapaO líder supremo dos talebans, mulá Mohammad Omar, sobreviveu ontem a um ataque norte-americano perto de sua residência em Kandahar (Sul), anunciou o embaixador da milícia islamita em Islamabad, Abdul Salam Zaif.
''Vários ataques foram feitos perto da residência do mulá Omar'', explicou à imprensa o embaixador dos talebans em Islamabad, Abdul Salem Zaif.
''Graças a Alá, está vivo'', acrescentou, informando que antes dos ataques o líder dos talebans tinha deixado a casa.

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