São Paulo - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, denunciou ontem a utilização no Líbano de bombas de fragmentação pelo Exército israelense e pediu ao Estado israelense que entregue mapas com sua localização, durante uma entrevista coletiva concedida em Shuneh, na Jordânia.
''Pedi às autoridades israelenses que nos dêem mapas e dados sobre os locais onde estas bombas foram lançadas, para localizá-las e assim proteger os civis'', declarou Annan após uma reunião com o rei Abdullah II, da Jordânia.
Na quarta-feira, o coordenador dos Assuntos Humanitários da ONU, Jan Egeland, já havia alertado sobre essa questão, afirmando que milhares de civis estão ameaçados no sul do Líbano pelas bombas de fragmentação (não-detonadas) lançadas por Israel nos últimos três dias do conflito contra o grupo terrorista libanês Hezbollah, que durou 34 dias e causou mais 1.400 mortes 1.200 delas no Líbano.
As bombas de fragmentação, cujo uso não é ilegal, são formadas por uma cápsula que se abre e libera pequenas granadas após o lançamento. Podem cobrir uma área equivalente a um campo de futebol e destruir veículos blindados, mas não são armas de precisão. ''Ao afetar a população civil, constituem uma violação do direito humanitário internacional'', disse Egeland.
Desde o fim dos combates, em 14 de agosto, ao menos 13 pessoas morreram, incluindo três crianças, e outras 46 ficaram feridas pela explosão das pequenas granadas contidas nesses artefatos, disse o coordenador dos Assuntos Humanitários da ONU.
As acusações de Egeland tinham como base informações do Centro de Coordenação da Ação Antiminas das Nações Unidas (Macc), segundo as quais ''359 localizações de bombas de fragmentação'' foram identificadas, o que representa cerca de 100 mil bombas ainda sem explodir.
Israel defendeu o uso de bombas de fragmentação na guerra contra o Hizbollah no Líbano, classificando-o de legítimo, em resposta a críticas do subsecretário de Assuntos Humanitários da ONU, Jan Egeland, que classificou sua utilização nos últimos dias do confronto de ''imoral''.

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