O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, manifestou-se ‘‘profundamente perturbado’’ pela resposta desproporcional de Israel contra um ataque à bomba cometido ontem em Netanya, nas proximidades de Tel Aviv.
O ataque de um palestino suicida – no qual morreram o atacante e cinco israelenses e dezenas de pessoas ficaram feridas – gerou o bombardeio de caças F-16 e navios contra um posto da guarda costeira palestina em Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza.
‘‘Enquanto reiteradamente deixei clara minha total condenação ao terrorismo de qualquer proporção – e volto a afirmar isto agora –, esta resposta só pode ser considerada excessiva e na direção errada’’, opinou Annan.
Ele considerou que o efeito prático da represália israelense ‘‘será o inevitável aumento da amargura no lado palestino’’.
Em um comunicado divulgado por sua assessoria de imprensa, Annan sustentou que ‘‘este é um momento para a moderação de todas as partes’’ envolvidas no conflito.
‘‘Todos precisam entender que não é possível haver uma solução militar para este conflito e que a única rota de fuga da atual escalada passa pelo fim da violência e pela retomada das negociações com vistas ao estabelecimento de uma paz ampla, com base nas relevantes resoluções das Nações Unidas’’, concluiu o secretário-geral.
BushO presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, falando depois do atentado à bomba mas antes dos bombardeios aéreos, disse que o ataque suicida havia levado a violência para um novo nível de intensidade. Bush afirmou que sua administração vai continuar trabalhando com os líderes da região. ‘‘Temos de romper o ciclo de violência a fim de dar início a discussões significativas sobre qualquer tipo de solução política’’, disse ele. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, falou de uma ‘‘terrível crise’’.
Reação palestinaTayeb Abdel Rahim, alto assessor de Arafat, disse que a Autoridade Palestina ‘‘condena ataques contra civis e pessoas inocentes do lado palestino e do lado israelense’’. Ele afirmou que a retomada das conversações de paz era a única forma de interromper o ciclo de violência.
Arafat estava reunido com seus chefes de segurança em seu complexo costeiro da Faixa de Gaza quando aviões e helicópteros israelenses dispararam mais de 25 foguetes contra sete alvos de segurança na região.
Nabil Aburdeneh, outro assessor de Arafat, disse que uma retaliação como esta não traria segurança a Israel. E pediu à comunidade internacional que envie à região uma força de proteção aos palestinos.

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