Annan considera ação israelense desproporcional
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de maio de 2001
De Nova York e Jerusalém 
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, manifestou-se profundamente perturbado pela resposta desproporcional de Israel contra um ataque à bomba cometido ontem em Netanya, nas proximidades de Tel Aviv.
O ataque de um palestino suicida no qual morreram o atacante e cinco israelenses e dezenas de pessoas ficaram feridas gerou o bombardeio de caças F-16 e navios contra um posto da guarda costeira palestina em Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza.
Enquanto reiteradamente deixei clara minha total condenação ao terrorismo de qualquer proporção e volto a afirmar isto agora , esta resposta só pode ser considerada excessiva e na direção errada, opinou Annan.
Ele considerou que o efeito prático da represália israelense será o inevitável aumento da amargura no lado palestino.
Em um comunicado divulgado por sua assessoria de imprensa, Annan sustentou que este é um momento para a moderação de todas as partes envolvidas no conflito.
Todos precisam entender que não é possível haver uma solução militar para este conflito e que a única rota de fuga da atual escalada passa pelo fim da violência e pela retomada das negociações com vistas ao estabelecimento de uma paz ampla, com base nas relevantes resoluções das Nações Unidas, concluiu o secretário-geral.
BushO presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, falando depois do atentado à bomba mas antes dos bombardeios aéreos, disse que o ataque suicida havia levado a violência para um novo nível de intensidade. Bush afirmou que sua administração vai continuar trabalhando com os líderes da região. Temos de romper o ciclo de violência a fim de dar início a discussões significativas sobre qualquer tipo de solução política, disse ele. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, falou de uma terrível crise.
Reação palestinaTayeb Abdel Rahim, alto assessor de Arafat, disse que a Autoridade Palestina condena ataques contra civis e pessoas inocentes do lado palestino e do lado israelense. Ele afirmou que a retomada das conversações de paz era a única forma de interromper o ciclo de violência.
Arafat estava reunido com seus chefes de segurança em seu complexo costeiro da Faixa de Gaza quando aviões e helicópteros israelenses dispararam mais de 25 foguetes contra sete alvos de segurança na região.
Nabil Aburdeneh, outro assessor de Arafat, disse que uma retaliação como esta não traria segurança a Israel. E pediu à comunidade internacional que envie à região uma força de proteção aos palestinos.


