São Paulo - A organização de direitos humanos Anistia Internacional pediu ontem que as autoridades haitianas encaminhem o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, à Justiça após seu retorno ao Haiti na véspera.
''As violações dos direitos humanos, generalizados e sistemáticos, cometidos no Haiti durante o reinado de Duvalier representam crimes contra a humanidade. O Haiti tem a obrigação de persegui-lo, assim como todos os responsáveis deste gênero de crime'', afirmou Javier ZuÀiga, conselheiro especial da organização com sede em Londres.
Baby Doc retornou ao país 25 anos depois de ser deposto por uma revolta popular. Ele chegou ao aeroporto da capital Porto Príncipe anteontem, em um voo vindo da França, onde ele vivia exilado.
''As autoridades haitianas devem romper com o ciclo de impunidade que prevaleceu durante décadas no Haiti. Não levar os responsáveis perante a justiça acabará provocando outras violações dos direitos humanos'', afirma um comunicado da organização. ''Durante esses quinze anos no poder (1971-1986), a tortura sistemática e outros maus-tratos eram amplamente disseminados em todo o país. Centenas de pessoas ''desapareceram'' ou foram executadas. Os membros das Forças Armadas e da milícia, igualmente conhecidos como ''tontons macoutes'', representaram um papel primordial na repressão de militantes pró-democracia e dos direitos humanos'', acrescentou a Anistia.
Baby Doc governou o país entre 1971 e 1986. Uma multidão recebeu o ex-ditador no aeroporto internacional Toussaint Louverture, onde chegou acompanhado de vários colaboradores.
O retorno de Duvalier fez surgir perguntas na capital sobre o significado do retorno deste ex-líder, considerado, junto com seu pai, François, que governou entre 1957 e 1971, responsável por um regime que governou com mão de ferro, desprezo aos direitos humanos e corrupção. Seus governos são considerados responsáveis pela morte de milhares de opositores e do desvio de recursos significativos do país durante 29 anos.
O presidente haitiano, René Préval, advertiu em 1997, durante seu primeiro mandato, que Duvalier seria preso se retornasse ao Haiti.
Comentaristas destacaram que não é possível imaginar que as altas autoridades do país não estavam conscientes das diligências de Duvalier para voltar ao Haiti.
Duvalier chegou ao poder em 1971, aos 19 anos, após a morte de seu pai, François Duvalier, o Papa Doc. Após permanecer na Presidência do Haiti até 1986, teve que exilar-se perante o agravamento da situação no país caribenho, indo para a França.

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