Londres - A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) lançou ontem, em Londres, uma campanha mundial intitulada ''Parem com a violência contra as mulheres'', às vésperas do Dia Internacional da Mulher, na próxima segunda-feira. ''A violência contra as mulheres é o pior escândalo de nossa época em termos de direitos humanos. Desde o nascimento até a morte, em tempos de paz como em tempos de guerra as mulheres são confrontadas com a discriminação e a violência, das quais são culpados os Estados, a sociedade e as famílias'', denuncia a Anistia.
A organização publicou um relatório que detalha as discriminações e atentados contra os direitos humanos de que são vítimas as mulheres do mundo. O texto descreve a situação das mulheres escravas sexuais em Serra Leoa, das mulheres ''assassinadas em nome da honra'' no Oriente Médio e na Ásia, das meninas que sofrem mutilações genitais no Oeste da África e das mexicanas sequestradas e assassinadas na fronteira com os Estados Unidos.
O relato informa ainda que na Europa Ocidental, as mulheres são espancadas por seus companheiros, na Europa do Leste são vítimas do tráfico de prostituição, na Eslováquia Oriental, ciganas são esterilizadas à força, enquanto que na África do Sul as meninas são violadas porque seus estupradores acreditam que uma relação sexual com virgens os cura da Aids.
Apesar das múltiplas raízes do problema peso das tradições, leis e códigos da família, pobreza, ignorância etc , a AI afirma que a violência não é inevitável e que as mentalidades podem mudar. A organização propõe uma campanha de colaboração com militantes dos direitos da mulher e com grupos de mulheres que atuam localmente.
O objetivo é essencialmente pressionar em todos os níveis (internacional, nacional, local) todos os atores (dirigentes, organizações internacionais, instituições religiosas, autoridades tradicionais) para que ''essas violações sejam reconhecidas, condenadas publicamente e reparadas''.
A AI deseja que os países assinem, ratifiquem e apliquem as convenções existentes, mais do que apenas criar um novo texto jurídico. O informe de lançamento da campanha será divulgado nos 140 países em que a organização está implantada. A campanha se baseará também em cartas enviadas diretamente aos dirigentes e um curta-metragem destinado ao grande público.
Informes sobre as violências estão previstos a cada três meses ao longo de toda a campanha, que durará pelo menos dois anos. Segundo a AI, esta é a mais importante campanha já elaborada pela organização.

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