Londres - A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) condena, em seu informe anual 2004, os terroristas ''dispostos a tudo'' para atingir seus fins, mas também os governos responsáveis por abusos vinculados à luta antiterrorista. ''Como militantes, temos de reagir à ameaça de grupos armados e de indivíduos responsáveis por atos impiedosos, cruéis e criminosos'', afirma a secretária-geral de Anistia, Irene Khan, na introdução do documento.
O atentado que custou a vida do representante especial das Nações Unidas no Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, entre outros ataques, lembra ''a ameaça planetária que representam indivíduos dispostos a tudo para atingir seus fins políticos'', diz.
''Condenamos sem reserva os atos de tais pessoas, culpadas de atentados contra os direitos humanos e o direito internacional humanitário, e inclusive em alguns casos de crimes contra a humanidade e crimes de guerra'', estima. ''Estas pessoas devem ser levadas à justiça, mas, e é neste ponto que nossa posição diverge da posição de alguns governos, isto deve ser feito de acordo com as normas do direito internacional'', assinala.
Anistia Internacional critica particularmente os Estados Unidos por sua ''guerra contra o terrorismo'' que, segundo Irene Khan, está ''desprovida de princípios e de perspectivas''. ''Para um convencimento, basta ver como a insurreição ganha terreno no Iraque, a anarquia se amplia no Afeganistão, o Oriente Médio afunda cada dia mais na espiral da violência e os atentados suicidas se multiplicam no coração das cidades em quase todo o mundo'', prossegue.
Como em 2003, Anistia denuncia ''as derivações'' da luta antiterrorista que justificou abusos e repressão em vários países. O informe destaca principalmente que ''a comunidade internacional não parece poder ou querer combater essa tendência''.

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